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Dados do Saeb apontam piora na alfabetização, mas governo minimiza resultado

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Foto: Agencia Brasil

O Ministério da Educação (MEC) divulgou nesta quinta-feira (3) os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) para o 2º ano do ensino fundamental, que indicam uma taxa de apenas 49,3% de crianças alfabetizadas no país em 2023. O dado contrasta com o relatório do programa Criança Alfabetizada, também do MEC, que apontou um percentual superior, de 56%, utilizando outra metodologia.

Apesar da discrepância nos resultados, o governo insiste que o índice do Criança Alfabetizada é mais confiável. O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Manuel Palácios, afirmou que o Saeb não deveria ser considerado um indicador preciso da alfabetização no Brasil, alegando que a margem de erro da avaliação nacional é elevada, chegando a 22,5 pontos percentuais em Estados como a Bahia.

Especialistas criticam falta de transparência

A opção do governo por minimizar os dados do Saeb tem sido alvo de críticas de especialistas em educação. Para o professor da Universidade de Stanford Guilherme Lichand, a diferença de sete pontos percentuais entre os levantamentos é alarmante.

“Se o Inep gastou milhões de reais para coletar uma avaliação que ele mesmo não confia, como pode justificar esse desperdício de recursos?”, questionou.

Priscila Cruz, presidente executiva do movimento Todos Pela Educação, também destacou que a falta de transparência do governo compromete a credibilidade dos indicadores. “Os resultados dessas avaliações precisam ser compatíveis entre si, e o Inep ainda não garantiu isso”, afirmou.

Distorção entre Estados gera dúvidas

Outra questão levantada é a discrepância entre os resultados estaduais. No Maranhão, por exemplo, o Saeb indicou que apenas 30,6% das crianças estão alfabetizadas, enquanto o programa Criança Alfabetizada registrou 56%. Em contrapartida, em São Paulo, a diferença é menor: 50,5% no Saeb contra 52% no Criança Alfabetizada.

Especialistas apontam que essas variações sugerem possíveis distorções nos critérios de avaliação, especialmente em um contexto onde os resultados educacionais influenciam diretamente o repasse de verbas do ICMS para os Estados.

Diante das críticas, a pressão por maior transparência nos dados e na metodologia de avaliação do governo federal cresce entre especialistas e entidades do setor educacional.

Redação Saiba+

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