Brasil
Ministro do INSS atuou em favor de entidades sob suspeita
Antes de assumir a Previdência, Wolney Queiroz participou da articulação que enfraqueceu o controle sobre descontos em aposentadorias; entidades envolvidas são hoje alvos da Polícia Federal.
O atual ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, nomeado após a saída de Carlos Lupi, teve papel direto em uma mudança legislativa que hoje está no centro das investigações da Polícia Federal sobre fraudes bilionárias contra aposentados do INSS. Quando era deputado federal e líder do PDT na Câmara, Queiroz assinou uma emenda que prorrogou o prazo de revalidação obrigatória dos descontos feitos na folha de pagamento de aposentados e pensionistas. A medida beneficiou diretamente entidades sindicais e associações que agora são suspeitas de cobranças indevidas, lavagem de dinheiro e corrupção.
A proposta foi incluída em uma medida provisória de 2021 e surgiu a pedido da Cobap (Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas) e da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura). Ambas são citadas na atual apuração policial. A emenda foi assinada também por parlamentares de partidos da base do governo, como o PSB e o PT.
O mecanismo de revalidação anual dos descontos havia sido criado por medida provisória do então presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2019, como forma de garantir maior transparência e consentimento dos beneficiários sobre as cobranças em folha. No entanto, após lobby intenso de entidades sindicais, o Congresso prorrogou os prazos duas vezes e, em 2022, extinguiu de vez a exigência de controle, abrindo espaço para abusos.
Na época, a justificativa para o adiamento foi a pandemia de covid-19. O texto da emenda assinada por Queiroz alegava “impossibilidade de exigir prazos no tempo e modo previstos”, mas hoje se sabe que o afrouxamento das regras contribuiu para um esquema de fraudes que atingiu milhares de aposentados em todo o país.
Wolney Queiroz assumiu o Ministério da Previdência em abril de 2025, após a demissão de Carlos Lupi, que caiu justamente por omissão diante das denúncias. Queiroz, porém, já atuava como secretário executivo da pasta e estava presente em reuniões em que as irregularidades foram apresentadas ao antigo titular.
Procurado pela imprensa, o novo ministro não comentou seu envolvimento com a emenda de 2021. A omissão e o silêncio preocupam, especialmente diante da gravidade das denúncias e do impacto direto sobre os aposentados e pensionistas, público mais vulnerável da Previdência.
Enquanto o governo Lula tenta blindar o novo ministro, cresce a pressão por transparência e responsabilização no caso. O Congresso também começa a ser cobrado por sua parcela de responsabilidade na flexibilização das regras que agora se mostram um erro estratégico — e custoso.
