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Economia brasileira deve desacelerar com inflação alta e juros persistentes

OCDE projeta crescimento modesto até 2026 e alerta para pressão fiscal e risco de descumprimento da meta primária

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Lula deve discutir nesta terça o que foi acordado entre Haddad e a cúpula do Congresso Foto: Wilton Junior

A economia do Brasil caminha para uma desaceleração nos próximos anos, segundo relatório divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A entidade projeta crescimento de 2,1% em 2025 e 1,6% em 2026, com destaque para o setor de serviços como principal motor da inflação, que deverá se manter acima da meta de 3% estipulada pelo Banco Central.

A OCDE ressalta que, apesar de aumentos salariais sustentarem o consumo das famílias, há sinais claros de arrefecimento da demanda interna, com queda no consumo e investimentos no final de 2024. Ainda assim, o mercado de trabalho se mantém resiliente, com níveis recordes de emprego formal e rendimento.

A instituição alerta que a taxa básica de juros (Selic) deve chegar a 15% até o fim do ano, como parte de uma política monetária que continuará restritiva por mais tempo, para conter a inflação. Já a política fiscal permanece ligeiramente expansionista, sem espaço para absorver pressões de gastos, mesmo com a reforma do imposto de renda considerada neutra em arrecadação.

No âmbito da infraestrutura e produtividade, a OCDE sugere a redução de barreiras regulatórias, ampliação de investimentos e estímulo à concorrência como caminhos para retomar um crescimento sustentável.

Outro ponto de atenção é a sustentabilidade fiscal: o Brasil pode ter dificuldades em cumprir a meta de resultado primário diante do aumento de despesas obrigatórias com saúde e educação e da arrecadação pressionada. “As despesas sociais continuarão em alta, o que deve intensificar a pressão sobre as contas públicas”, afirma o documento.


Lula pode decidir hoje sobre alternativas ao aumento do IOF

O governo federal busca uma solução para evitar o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e deve definir a saída para o impasse ainda nesta terça-feira (3), antes da viagem do presidente Lula à França.

A decisão será tomada com base nas discussões entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, além de líderes governistas como Gleisi Hoffmann, José Guimarães, Randolfe Rodrigues e Jaques Wagner. A reunião aconteceu na noite de segunda-feira, na residência oficial da Câmara.

OCDE destaca que mercado de trabalho no Brasil segue resiliente, com ’emprego formal e rendimentos em níveis recordes’  Foto: Filipe Araújo

Entre as alternativas em debate, estão a taxação de apostas online (bets), fintechs e criptoativos, além da revisão de gastos tributários e isenções fiscais. Motta evitou antecipar medidas, mas admitiu que tudo ainda está em análise: “Vamos fechar direitinho, isso mexe muito com a economia”, declarou.

Além disso, Lula discutiu com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, uma proposta que pode gerar até R$ 20,25 bilhões em arrecadação ainda em 2025, por meio de medidas no setor de petróleo e gás natural. No entanto, o Tesouro Nacional admite incertezas quanto à materialização desses valores ainda este ano.

Redação Saiba+

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