Bahia

Municípios baianos endividados investem milhões em festas juninas

Mesmo com dívidas com a União, cidades como Ilhéus, Porto Seguro e Juazeiro destinam recursos públicos para atrações musicais

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As tradicionais festas juninas no Nordeste movimentam a economia e atraem milhares de visitantes todos os anos. Na Bahia, mais de 400 municípios realizam programações festivas em 2025, com uma movimentação estimada de quase meio bilhão de reais no estado. No entanto, cidades com elevado grau de endividamento com a União seguem investindo valores expressivos na contratação de atrações musicais.

Segundo levantamento de 2024 do Ministério da Fazenda, divulgado pela plataforma Fiquem Sabendo, 107 municípios brasileiros apresentam dívidas com a União, somando R$ 4,5 bilhões. A Bahia aparece em terceiro lugar no ranking de estados com o maior número de cidades inadimplentes, ficando atrás apenas de Minas Gerais e São Paulo.

Entre os municípios baianos listados como devedores estão Ilhéus, Porto Seguro e Juazeiro, que juntos destinaram mais de R$ 5,6 milhões para a contratação de artistas e estrutura de eventos em 2025, conforme dados obtidos pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA).


Ilhéus investe R$ 2,83 milhões em festa mesmo com dívida ativa

Conhecida como a “capital do cacau”, a cidade de Ilhéus, situada a cerca de 454 km de Salvador, possui uma dívida de R$ 1,725 milhão com a União, de acordo com os dados do Ministério da Fazenda. Apesar do cenário fiscal delicado, o município destinou R$ 2,83 milhões para o evento “Meu São João Amado – Arraiá Ilhéus 2025”, realizado entre os dias 13 e 15 de junho.

Do total investido, R$ 1,13 milhão veio de verbas federais e R$ 1,7 milhão foi custeado com recursos municipais. Entre os artistas contratados estão Manu Bahtidão (R$ 450 mil), João Bosco & Vinícius (R$ 400 mil) e Paula Fernandes (R$ 300 mil), além de nomes como Tayrone, Tierry, Sinho Ferrary e Cacau com Leite.

A Prefeitura de Ilhéus informou que parte dos recursos é oriunda de emendas parlamentares via Secretaria de Turismo da Bahia (SETUR), com finalidade exclusiva para eventos juninos, além de contar com patrocínio privado. Segundo a gestão, o evento gerou impacto positivo na economia local. “Estudos indicam que o retorno financeiro pode ser até seis vezes maior que o valor investido”, destacou a nota oficial.

Sobre a situação fiscal, a prefeitura afirma que herdou dívidas de gestões anteriores e está negociando os débitos com a União, mantendo em dia os compromissos referentes a 2025.


Porto Seguro tem dívida de R$ 77 milhões e investe R$ 2,6 milhões em atrações

Com uma dívida de R$ 77,17 milhões junto à União, o município de Porto Seguro, localizado a cerca de 720 km da capital, também realizou uma programação robusta para o São João. Segundo o MP-BA, foram investidos R$ 2,609 milhões em recursos próprios para a contratação de 14 atrações musicais.

Entre os cachês mais elevados estão os da dupla Maiara & Maraisa (R$ 654 mil), Mari Fernandez (R$ 480 mil) e Nadson O Ferinha (R$ 300 mil). Também se apresentaram Psirico, Devinho Novaes e Del Feliz.

A reportagem do BNews solicitou à prefeitura informações detalhadas sobre os recursos utilizados, mas não obteve resposta até o momento.


Juazeiro investe R$ 258 mil mesmo com dívida de R$ 133 milhões

A cidade de Juazeiro, no norte da Bahia, a 512 km de Salvador, também aparece na lista dos municípios com dívida ativa junto à União, somando R$ 133 milhões. Mesmo assim, a gestão municipal destinou R$ 258 mil de recursos próprios para realizar o São João 2025.

De acordo com o MP-BA, o valor foi usado para pagar 24 atrações musicais, incluindo Sérgio do Forró (R$ 30 mil), Nilton Freitas (R$ 25 mil) e João Sereno (R$ 25 mil). A prefeitura ainda não divulgou oficialmente sua justificativa para o investimento.

Redação Saiba+

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