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Governo articula estratégia para enfrentar a CPMI do INSS

Apesar do discurso de tranquilidade, Planalto se movimenta para conter danos políticos com nomes de confiança e apoio do Centrão

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A sede do INSS em Brasília — Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS ainda nem foi instalada oficialmente, mas já mobiliza os bastidores do governo Lula. Embora o discurso oficial seja de que a investigação “não preocupa”, lideranças petistas admitem que o tema é sensível e pode gerar desgastes à imagem do presidente.

A presidência da CPMI ficará a cargo do senador Omar Aziz (PSD-AM), nome considerado alinhado ao Palácio do Planalto. Velho conhecido das comissões no Senado, Aziz foi presidente da CPI da Covid e, agora, deve manter uma condução menos confrontativa, em sintonia com os interesses do governo.

Já a relatoria ficará nas mãos da Câmara dos Deputados, sob indicação do líder do Republicanos, Hugo Motta. Apesar de Motta prometer um relator “neutro”, a expectativa do Planalto é que o nome escolhido tenha um perfil conciliador e simpático ao governo. Nos bastidores, comenta-se que o indicado será alguém ligado ao Centrão — grupo que mantém relação ambígua com o Executivo, mas costuma negociar apoio em troca de espaço e recursos.

A preocupação do governo é clara: embora as fraudes no INSS não sejam uma exclusividade da atual gestão, a simples instalação da CPMI reabre um debate incômodo em torno da corrupção e má gestão no setor público, com impacto direto na popularidade de Lula.

Aliados do presidente avaliam que o tema também envolve escândalos ocorridos durante o governo Bolsonaro, o que poderia diluir o foco da comissão e gerar um “efeito bumerangue” para a oposição. Mesmo assim, a estratégia governista inclui o reforço na linha de frente da defesa política.

Entre os nomes cotados para atuar diretamente na CPMI estão figuras combativas e experientes como Paulo Pimenta, Maria do Rosário, Orlando Silva e Rogério Carvalho. O objetivo é não apenas conter a narrativa adversária, mas também desviar o foco de ataques diretos ao Planalto.

O Centrão oposicionista, por sua vez, quer justamente o contrário. A ala que se distanciou de Lula aposta na relatoria como uma arma para desgastar o governo e impulsionar nomes para 2026. O paralelo é claro: a CPMI da Covid, em 2021, foi usada para enfraquecer Jair Bolsonaro — e agora a história pode se repetir com Lula.

A instalação formal da CPMI do INSS deve acontecer em agosto, e o prazo de funcionamento será de 180 dias. Coincidência ou não, o encerramento deve ocorrer às vésperas do início do próximo ciclo eleitoral, quando a oposição pretende ampliar o cerco ao governo federal.

Redação Saiba+

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