Brasil
Lula e Bolsonaro em decadência: o fim de uma era?
Enquanto os dois líderes que dividiram o país perdem força e prestígio, cresce a esperança por uma nova liderança capaz de unir e reconstruir o Brasil com equilíbrio e responsabilidade
Dois dos principais protagonistas da polarização política brasileira vivem, simultaneamente, seus momentos mais frágeis. De um lado, Lula, presidente pela terceira vez, enfrenta crescente impopularidade e uma sucessão de derrotas políticas internas e vexames diplomáticos. Do outro, Jair Bolsonaro, ex-presidente e inelegível, tenta manter influência enquanto aguarda julgamento por tentativa de golpe de Estado. Ambos, contudo, parecem caminhar para a obsolescência política — e isso pode ser excelente para o Brasil.
No último domingo (30), a Avenida Paulista recebeu mais um ato em defesa de Bolsonaro, mas o evento teve baixa adesão popular, reunindo menos de 15 mil pessoas em um espaço que comporta mais de um milhão. Nas redes sociais, o fiasco foi chamado de “flopada” — uma imagem que contrasta fortemente com as grandes manifestações do passado.
No mesmo dia, a revista britânica The Economist publicou uma análise contundente sobre o atual governo Lula, classificando sua atuação como “omissa” e “constrangedora” diante de fóruns internacionais. O artigo destaca o alinhamento de Lula com autocracias como Rússia e Irã, reforçando a sensação de que o presidente perdeu a mão tanto na política externa quanto na interna.
A incapacidade dos dois líderes de projetar candidaturas viáveis para 2026 escancara sua decadência. Lula tenta reviver o velho discurso de “ricos contra pobres”, mas o antipetismo continua forte e articulado. Bolsonaro, por sua vez, hesita em consolidar um nome de sucessão — cogitando até mesmo indicar familiares, o que revela mais desejo de preservar influência e foro privilegiado do que qualquer compromisso com o país.
A verdade é que ambos governaram com base na lógica da divisão: o ‘nós contra eles’. O petismo fez disso sua doutrina, e o bolsonarismo, seu combustível. O resultado foi um Brasil fraturado, onde o debate político deu lugar à guerra de narrativas, e a governabilidade à barganha ideológica.
Mas, talvez, o fim desse duopólio seja o início de um novo ciclo político. A sociedade parece buscar uma figura capaz de liderar com responsabilidade, espírito construtivo e visão de país, e não apenas repetir slogans ou capitalizar a polarização.
À esquerda, Lula não prepara um sucessor natural, e nomes como Fernando Haddad enfrentam resistência até dentro do próprio campo. À direita, candidatos disputam a bênção de Bolsonaro em cima de trios elétricos quase vazios, como se ainda houvesse capital político a ser herdado.
O crepúsculo dos patriarcas pode abrir espaço para o surgimento de uma nova liderança — que não precise dividir para governar, nem se sustentar em narrativas do passado. O Brasil, enfim, pode estar diante da chance de reconstruir seu futuro político com menos messianismo e mais maturidade.
