Brasil
Dólar sobe e economistas elevam previsão do PIB e cortam expectativa de inflação
Alta da moeda americana reflete incertezas com tarifas dos EUA e tensão fiscal no Brasil; projeção do mercado para economia brasileira melhora pela 6ª semana consecutiva
O dólar iniciou a semana em alta nesta segunda-feira (7), impulsionado pelas incertezas no cenário internacional após novas ameaças tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pela crise fiscal que se desenrola no Brasil. Ao mesmo tempo, o mercado recebeu com cautela os dados do Boletim Focus, que trouxe revisões otimistas para o PIB de 2025 e queda na expectativa de inflação.
Às 9h04, o dólar comercial subia 0,43%, sendo negociado a R$ 5,4479. Na sexta-feira (4), a moeda já havia avançado 0,37%, encerrando a R$ 5,424. O movimento ocorre mesmo com os mercados americanos fechados por conta do feriado de 4 de julho.
O cenário global continua sendo afetado pelo anúncio de Trump, que adiou para 1º de agosto o retorno das tarifas de importação contra países sem acordo com os EUA. O republicano ainda ameaçou sobretaxar em 10% os países que se alinharem ao grupo dos Brics, ampliado recentemente para 11 nações que representam quase metade da população mundial.
A tensão internacional coincide com o agravamento da crise fiscal brasileira. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspendeu neste domingo os decretos que aumentavam o IOF e convocou uma audiência de conciliação entre Executivo, Legislativo e Judiciário para o próximo dia 15. A medida tenta conter o embate entre os Poderes e evitar mais desgaste na imagem fiscal do país.
“A decisão alivia um pouco a insegurança de curto prazo, mas o mercado ainda aguarda sinais mais claros de coordenação entre os Poderes para enfrentar o desequilíbrio fiscal”, avalia Felipe Paletta, estrategista da EQI Research.
Projeção do PIB sobe, inflação cai e dólar se mantém acima de R$ 5,40
O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda, trouxe boas notícias para o desempenho da economia brasileira. A previsão para o crescimento do PIB em 2025 subiu de 2,21% para 2,23%, enquanto a estimativa da inflação, medida pelo IPCA, caiu de 5,2% para 5,18% — a sexta queda consecutiva. Para 2026, a projeção de inflação foi mantida em 4,5%.
O levantamento semanal também manteve a expectativa da taxa Selic em 15% para o final de 2025 e 12,5% em 2026, sinalizando estabilidade nos juros no curto e médio prazo. Já a previsão para o dólar segue em R$ 5,70 no final deste ano, com recuo para R$ 5,75 em 2026, ante R$ 5,79 na semana passada.
Apesar da desvalorização acumulada do dólar frente ao real em 2025 — queda de 12,2% —, analistas veem risco de nova pressão cambial caso as tarifas dos EUA entrem em vigor ou a crise política interna se agrave.
No cenário externo, o governo americano busca firmar “acordos mínimos” com seus parceiros até o prazo final, como alternativa à imposição das tarifas mais severas anunciadas por Trump. Até o momento, apenas o Reino Unido, o Vietnã e a China fecharam entendimentos parciais.
