Saúde

Alerta após morte de Preta Gil: câncer colorretal avança entre jovens no Brasil

Morte da cantora aos 50 anos chama atenção para avanço da doença entre pessoas com menos de 45; especialistas alertam para exames preventivos e diagnóstico precoce

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Preta Gil durante show no Espaço Unimed, em São Paulo, em setembro de 2023, meses após a descoberta do câncer - Ronny Santos - 15.set.23

A morte da cantora Preta Gil neste domingo (20), aos 50 anos, reacendeu o alerta sobre o avanço do câncer colorretal entre adultos jovens. Diagnosticada em janeiro de 2023, a artista enfrentava um quadro de câncer de intestino com metástase e morreu em Nova York, onde fazia tratamento experimental.

A doença, antes mais comum em idosos, tem crescido de forma preocupante entre adultos com menos de 50 anos. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer colorretal está entre os tipos mais frequentes no Brasil, com aumento da incidência global.

Em um relatório da American Cancer Society (ACS) publicado em janeiro de 2024, foi identificado que as faixas etárias dos 20, 30 e 40 anos têm apresentado altas taxas de novos casos, com tumores mais agressivos e frequentemente diagnosticados em estágios avançados.

Preta chegou a anunciar a remissão da doença em dezembro de 2023. No entanto, em agosto de 2024, revelou a recidiva com metástase em quatro regiões, incluindo o peritônio, ureter e linfonodos. Esse retorno do câncer costuma indicar um comportamento mais agressivo, dificultando o tratamento.


Sintomas e diagnóstico

O câncer colorretal costuma ser silencioso no início, mas apresenta sinais como:

  • sangue nas fezes,
  • alterações no hábito intestinal,
  • dores abdominais persistentes,
  • e mudanças no formato das fezes (mais finas ou alongadas).

A recomendação é que o rastreamento comece aos 45 anos, mesmo para quem não apresenta sintomas. O exame de sangue oculto nas fezes é a principal forma de triagem e, caso positivo, deve ser seguido de colonoscopia. A antecipação desses exames está em debate entre sociedades médicas diante do aumento dos casos em jovens.


Brasil x EUA: tratamento e acesso à inovação

Em maio de 2025, Preta Gil deu início a um tratamento nos Estados Unidos. Em entrevista, ela afirmou: “Minhas chances de cura estão fora do país”. A decisão escancarou as dificuldades de acesso a tratamentos avançados no Brasil.

Nos EUA, ensaios clínicos são mais acessíveis, com planos de saúde cobrindo os custos básicos, enquanto no Brasil a dependência do SUS limita o alcance da população a esses recursos. Além disso, a velocidade de aprovação de medicamentos também é discrepante:

  • FDA (EUA): média de 184 dias
  • Anvisa (Brasil): média de 331 dias

A importância do diagnóstico precoce

Especialistas alertam que o maior desafio é identificar o câncer em fase inicial, o que aumenta significativamente as chances de cura. O tratamento varia conforme o estágio: cirurgias nas fases iniciais, quimioterapia nos casos mais avançados e abordagens experimentais em casos com metástase.

Estudos recentes também investigam fatores ambientais e alterações na microbiota intestinal como possíveis causas do aumento da doença em jovens.

Redação Saiba+

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