Brasil
Indústria e arrecadação batem recordes, mas cenário global ainda impõe incertezas
Enquanto Embraer e Receita Federal celebram marcos históricos no Brasil, tensões comerciais e tarifas internacionais geram turbulência nos balanços de gigantes globais
O segundo trimestre de 2025 trouxe números históricos para a indústria brasileira e para as contas públicas, com destaque para a Embraer, que encerrou o período com a maior carteira de pedidos da sua história: US$ 29,7 bilhões (R$ 160,3 bilhões). O desempenho da fabricante nacional de aeronaves foi impulsionado pela entrega de 61 aeronaves no período, um aumento de 30% em relação ao mesmo trimestre de 2024, e mais que o dobro do primeiro trimestre deste ano.
A divisão de aviação comercial da Embraer registrou US$ 13,1 bilhões em pedidos, o maior valor desde 2017, com destaque para acordos estratégicos como a venda de 60 jatos E175-E1 para a SkyWest, com opção para mais 50, e 45 jatos E195-E2 para a Scandinavian Airlines (SAS) — o maior pedido da empresa escandinava nas últimas três décadas.
Outros segmentos da companhia também apresentaram crescimentos expressivos:
- Aviação Executiva: Carteira de US$ 7,4 bilhões, alta de 62% em relação ao 2T24.
- Defesa e Segurança: Carteira de US$ 4,3 bilhões, o dobro de 2024, com entrega de quatro A-29 Super Tucano ao Paraguai.
- Serviços e Suporte: Maior carteira da história, crescimento de 55% em relação ao ano anterior.
Com esses números, a Embraer reforça sua posição como um dos grandes players da indústria global aeronáutica e antecipa que o segundo semestre deve trazer impactos positivos adicionais, especialmente com as ações de nivelamento da produção.
Arrecadação federal também atinge recorde histórico
Em paralelo, o governo federal registrou arrecadação recorde para o mês de junho, com R$ 234,59 bilhões, segundo a Receita Federal — alta real de 6,62% em relação ao mesmo mês de 2024. No acumulado do primeiro semestre, o total arrecadado chegou a R$ 1,426 trilhão, 4,38% acima do registrado no ano anterior, mesmo considerando a inflação.
Entre os tributos que puxaram o crescimento destacam-se:
- Imposto de Renda sobre ganho de capital: Alta de 19,19%
- IOF: Crescimento de 38,83%
- Receitas previdenciárias: Alta de 6,61%
A melhora da arrecadação contribuiu para a revisão na contenção orçamentária do governo, que reduziu o bloqueio de verbas dos ministérios de R$ 31,3 bilhões para R$ 10,7 bilhões, embora parte da receita adicional venha de leilões não recorrentes do pré-sal.
Cenário global: balanços positivos, mas incertezas com tarifas
No exterior, as big techs e farmacêuticas mantêm otimismo, mas montadoras e siderúrgicas sofrem com tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. A Alphabet (Google), SK Hynix e Infosys superaram previsões de lucro e anunciaram aumento nos investimentos, mesmo diante da instabilidade regulatória global.
A SK Hynix, fornecedora da Nvidia, destacou-se com lucro recorde devido à forte demanda por chips de inteligência artificial, enquanto a Infosys elevou suas projeções de receita. Já empresas como Hyundai, General Motors e Tesla relataram quedas expressivas nos lucros, atribuídas diretamente às novas tarifas dos EUA, que afetam tanto veículos quanto peças importadas.
A General Motors, por exemplo, informou que perdeu US$ 1,1 bilhão no trimestre devido aos encargos comerciais. A Tesla enfrentou seu pior trimestre de vendas em mais de 10 anos, segundo Elon Musk, que atribuiu a queda ao fim de incentivos fiscais para veículos elétricos.
Apesar das incertezas no cenário global, o Brasil celebra uma fase positiva em seus principais indicadores econômicos e industriais, com crescimento na arrecadação, avanços na indústria de defesa e consolidação da Embraer como potência global no setor aeronáutico. Resta observar como a economia mundial responderá aos desdobramentos da guerra comercial e seus impactos nas cadeias de suprimentos.
