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Alckmin tenta barrar tarifaço dos EUA enquanto Brasil ganha mercado na Argentina

Vice-presidente discute com autoridades dos EUA formas de evitar sobretaxas de até 50%, enquanto exportações brasileiras disparam entre os vizinhos argentinos

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O vice-presidente Geraldo Alckmin, em Brasília - Lucio Tavora - 14.jul.25/Zinhua

O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, revelou neste sábado (19) que manteve conversas com o secretário do Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, buscando reverter o tarifaço de até 50% anunciado por Washington contra produtos brasileiros. Segundo Alckmin, o Brasil permanece aberto ao diálogo e aguarda um aceno direto do presidente americano Donald Trump para a abertura de negociações formais.

“O Brasil nunca saiu da mesa de negociação. Estamos empenhados em resolver essa questão sem contaminação política ou ideológica”, afirmou Alckmin.

Entre os temas tratados com os EUA estão integração produtiva, complementariedade econômica, investimentos recíprocos e evitar a bitributação. O vice-presidente destacou que o governo brasileiro busca evitar um “perde-perde” nas relações bilaterais e disse considerar pleitear a redução ou postergação da medida tarifária americana.

Enquanto isso, do outro lado do continente, as exportações brasileiras para a Argentina cresceram 55,4% no primeiro semestre de 2025, atingindo US$ 9,1 bilhões. Destaque para veículos, autopeças e até carne bovina fresca, que teve um salto de US$ 1 milhão para US$ 22,9 milhões em um ano. A alta é impulsionada pela valorização do peso argentino, políticas de abertura comercial e redução tarifária implementadas pelo presidente Javier Milei.

Pessoas comprando carne em Buenos Aires – Luis Robayo – 13.fev.2025/AFP

Mesmo em produtos de forte identidade nacional, como a carne bovina, os argentinos estão preferindo importar do Brasil por ser mais barato. Em algumas cidades da Patagônia, o quilo da carne brasileira chegou a custar menos da metade do preço da carne argentina, gerando protestos na imprensa local.

“É mais barato importar do que produzir aqui”, disse um apresentador do canal Crónica.

A balança comercial entre os dois países também mostra vantagem para o Brasil: no mesmo período, os brasileiros compraram US$ 6,2 bilhões em produtos argentinos, gerando um superávit de US$ 3 bilhões para o lado brasileiro.

Enquanto o impasse com os EUA segue em compasso de espera, a Argentina se torna terreno fértil para o avanço das exportações brasileiras, inclusive em setores tradicionalmente protegidos, como o têxtil e metalúrgico. Contudo, o crescimento das importações vem provocando queda de vendas internas e aumento do desemprego em empresas argentinas de pequeno e médio porte.

Redação Saiba+

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