Bahia

O que Jerônimo já fez como governador da Bahia

Saúde, educação e infraestrutura avançam, mas desafios na segurança pública ainda marcam a gestão estadual

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https://www.flickr.com: @jeronimorodrigues

Desde que assumiu o governo da Bahia, em janeiro de 2023, Jerônimo Rodrigues tem concentrado esforços em descentralizar serviços públicos, ampliar investimentos em saúde, educação, infraestrutura e fortalecer o desenvolvimento regional. Passados dois anos e meio de mandato, a gestão exibe resultados importantes, mas também convive com críticas severas — principalmente na área da segurança pública.

Confira os principais avanços e desafios do governo Jerônimo Rodrigues até julho de 2025:


Infraestrutura: grandes obras, atrasos e impacto regional

Entre 2023 e 2025, o governo estadual investiu R$ 6,3 bilhões na malha rodoviária, com mais de 6.500 km de estradas em obras de pavimentação, recuperação e duplicação. Entre os destaques:

  • BA-649 (Ilhéus–Itabuna): primeira etapa 90% concluída, entrega prevista para o fim de 2025.
  • Acessos a Itabuna (BA-963 e BA-693): em execução, com previsão de entrega em dezembro de 2025.
  • Pavimentação Palmeiras–Vale do Capão: entrega prevista para setembro de 2025.
  • Rotatória do Mercado do Produtor, Juazeiro: entregue em julho de 2025.

No transporte hidroviário, R$ 60 milhões foram aplicados em terminais e atracadouros no Recôncavo e no Litoral Sul. A aviação regional recebeu R$ 400 milhões para 29 aeroportos e aeródromos.

Contudo, três grandes obras seguem travadas ou atrasadas:

  • Ponte Salvador-Itaparica: ainda em fase de estudos.
  • Nova rodoviária de Salvador: com previsão de entrega para outubro de 2025.
  • VLT de Salvador: obras em andamento após rompimento de contrato anterior, mas moradores ainda sofrem com a desativação do antigo trem do Subúrbio.

Saúde: expansão da rede e regionalização do atendimento

A gestão petista consolidou os consórcios interfederativos de saúde e ampliou o número de policlínicas regionais para 26 unidades, responsáveis por mais de 8 milhões de atendimentos em 414 municípios.

Foram entregues hospitais e unidades estratégicas:

  • Hospital Ortopédico da Bahia, em Salvador.
  • Hospital Costa das Baleias, em Teixeira de Freitas.
  • Hospital de Cuidados Paliativos e novo Hospital Octávio Mangabeira, também na capital.

Além disso, foram distribuídos 904 veículos de saúde, incluindo 732 ambulâncias, com o objetivo de universalizar o Samu até 2026, que hoje cobre 90% da população. O programa itinerante Saúde Mais Perto alcançou cerca de 1 milhão de atendimentos.


Educação: estrutura renovada, mas desempenho abaixo da média

Com R$ 3,5 bilhões investidos em requalificação da rede estadual, a Bahia ampliou escolas de tempo integral e implantou programas de permanência estudantil como Vale-Alimentação, Bolsa-Presença e Partiu Estágio.

A realização do maior concurso de professores da história do estado buscou reduzir o déficit de docentes. No entanto, indicadores como o Ideb e o índice de alfabetização infantil seguem entre os piores do país, o que tem gerado críticas de especialistas quanto à qualidade da aprendizagem e avaliação pedagógica.


Desenvolvimento rural e combate à fome: foco no campo, mas alcance limitado

Com forte histórico na agricultura familiar, o governador reforçou ações como o Bahia Origem, feiras regionais e regularização fundiária. O programa Bahia Sem Fome ampliou a distribuição de cestas básicas e instalação de cozinhas comunitárias, mas ainda é criticado por sua baixa capacidade estrutural e impacto pontual frente aos altos índices de pobreza e insegurança alimentar.


Relação com o governo federal e projeção internacional

A parceria com o governo Lula ampliou o acesso a recursos para áreas estratégicas e atraiu novos investimentos em energias renováveis, mobilidade urbana e tecnologia. Missões à Europa e à China geraram acordos como o da instalação da fábrica da BYD em Camaçari, que está em fase inicial de implantação.


Segurança pública: reforço histórico no efetivo, mas violência preocupa

Em dois anos e meio, a gestão Jerônimo contratou 6 mil novos agentes entre policiais militares, civis, peritos e bombeiros — número alcançado por meio de quatro concursos simultâneos. Foram inauguradas 193 novas estruturas de segurança pública e entregues 5.740 viaturas, além de helicópteros, veículos blindados, 11 mil coletes e 5 mil novas armas.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, mais de 170 líderes de facções foram capturados, inclusive em outros estados. A pasta também destaca a redução de mortes violentas em 2023 e 2024 e o crescimento nas apreensões de armas.

Contudo, a Bahia ocupa a 2ª posição nacional em número de homicídios e lidera o ranking de letalidade policial. O governo afirma estar investindo em tecnologia e integração de dados, mas reconhece o desafio da violência urbana e rural.


Balanço final e perspectivas

Com dois anos e meio de governo, Jerônimo Rodrigues entrega avanços expressivos em áreas como infraestrutura, saúde e mobilidade, apostando na descentralização e no diálogo com os municípios. Entretanto, problemas estruturais persistem, principalmente na segurança pública, na qualidade da educação e na desigualdade regional, o que desafia o governador a ampliar a capacidade de execução e resposta em sua segunda metade de mandato.

Redação Saiba+

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