Bahia
Ex-funcionárias da Zinzane protestam por calote em Salvador após demissão em massa
Empresa entrou com pedido de recuperação judicial, deixou de pagar verbas rescisórias e acumula denúncias de más condições de trabalho nas lojas da capital baiana
Ao menos 16 funcionárias demitidas da loja Zinzane no Shopping da Bahia, em Salvador, realizaram um protesto na tarde desta segunda-feira (5), cobrando o pagamento das verbas rescisórias após demissão em massa no dia 23 de julho. A empresa, que possui filiais em diversos shoppings da capital e região metropolitana, alegou estar em processo de recuperação judicial e que, por isso, não poderia arcar com os encargos trabalhistas devidos.
Keliane Oliveira, 32 anos, que trabalhou por dois anos como vendedora, relata que sequer recebeu o termo de rescisão e foi informada de que não teria direito à multa de 40% do FGTS, conforme previsto na legislação em casos de demissão sem justa causa.
“Eu tenho dois filhos pequenos para sustentar e, até agora, não foi depositado R$ 1 na minha conta. As lojas continuam funcionando como se nada tivesse acontecido”, desabafa.
Segundo a lei brasileira, o prazo para pagamento das verbas rescisórias é de até 10 dias corridos após o desligamento. O grupo de funcionárias denuncia que já se passaram 12 dias sem qualquer depósito.
Keliane calcula que tem cerca de R$ 23 mil a receber da empresa. O caso faz parte de um cenário ainda mais amplo: cerca de 400 funcionários da Zinzane teriam sido demitidos em todo o Brasil nas últimas semanas.
A empresa emitiu um comunicado, assinado pela Zinzane Comércio e Confecção de Vestuário, informando que ingressou com medida cautelar no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, onde está sua sede, como parte do processo de reestruturação de dívidas.
“Por conta dessa medida judicial, a Zinzane está proibida de fazer, neste momento, o pagamento de verbas rescisórias. Mesmo assim, todos os ex-colaboradores podem sacar o FGTS e solicitar o seguro-desemprego”, afirma a nota da empresa.
Além do calote trabalhista, as funcionárias denunciam más condições de trabalho nos meses que antecederam a demissão. Segundo relatos, faltava até água para os funcionários, que precisaram organizar vaquinhas para comprar galões.
Maristela da Silva, 35 anos, outra vendedora demitida, relata que a empresa não pagava sequer o fornecedor de água mineral. “Tivemos que levar água de casa ou juntar dinheiro entre a gente para não ficar sem beber água no trabalho”, afirma.
A situação piora com as denúncias de acúmulo de funções: além das vendas, as funcionárias eram responsáveis pela limpeza da loja, montagem de vitrines e divulgação de promoções nas redes sociais.
“A gente deu sangue trabalhando e agora está sendo tratada com total descaso”, diz Keliane.
Em Salvador e região metropolitana, a Zinzane possui lojas nos seguintes locais:
- Shopping da Bahia
- Salvador Shopping
- Shopping Barra
- Shopping Bela Vista
- Parque Shopping (Lauro de Freitas)
- Outlet Premium (Camaçari)
