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Guerra: Israel aprova ocupação da Cidade de Gaza

Plano de Netanyahu prevê controle militar da região e retirada de civis, com promessa de ajuda humanitária; ONU alerta para risco de desastre

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Palestino caminha em região devastada da Cidade de Gaza - Omar Al-Qattaa - 31.mai.25/AFP

O governo de Israel aprovou nesta quinta-feira (7) um plano para ocupar a Cidade de Gaza, em mais um capítulo da guerra contra o Hamas, que já dura quase dois anos. A decisão foi tomada pelo gabinete de segurança poucas horas após o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu reafirmar a intenção de expandir a presença militar israelense para todo o território palestino.

Segundo comunicado oficial, a medida integra a estratégia para derrotar o Hamas e será acompanhada do fornecimento de ajuda humanitária à população que estiver fora das zonas de combate. A proposta prevê ainda a retirada dos cerca de 800 mil civis que permanecem na Cidade de Gaza, reduzindo ainda mais a área habitável para os 2 milhões de moradores da Faixa.

O plano aprovado inclui cinco exigências para o fim do conflito: desarmamento do Hamas, devolução de 50 reféns (20 deles possivelmente vivos), desmilitarização de Gaza, manutenção do controle de segurança por Israel e criação de um governo civil alternativo, sem participação do Hamas nem da Autoridade Palestina.

Netanyahu declarou à emissora Fox News que não pretende governar Gaza diretamente, mas sim entregá-la a “forças árabes que não representem ameaça a Israel”. Ainda assim, o texto divulgado pelo gabinete menciona apenas a tomada da Cidade de Gaza, indicando que a operação deve ocorrer de forma gradual.

A aprovação do plano ocorreu em meio a divergências entre Netanyahu e a cúpula militar. O chefe do Exército, Eyal Zamir, teria defendido que uma ocupação total poderia piorar a crise humanitária e colocar em risco a vida dos reféns. O Hamas reagiu, classificando a decisão como um golpe nas negociações de cessar-fogo e afirmando que considerará qualquer governo civil instalado por Israel como parte das “forças de ocupação”.

A ONU demonstrou preocupação com a escalada. O Ocha, braço humanitário da organização, estima que 87,8% de Gaza esteja sob ordens de evacuação ou dentro de áreas militarizadas, deixando 2,1 milhões de pessoas confinadas a apenas 12% do território. O quadro agrava uma crise alimentar sem precedentes: segundo o IPC (Classificação Integrada de Fases de Segurança Alimentar), um terço da população não tem o que comer por vários dias seguidos, e o Ministério da Saúde de Gaza já contabiliza quase 200 mortes por fome, quase metade delas de crianças.

Com a decisão, Israel amplia o controle militar no território palestino, enquanto a comunidade internacional alerta para o risco de um desastre humanitário de grandes proporções.

Redação Saiba+

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