Política
Bivar acusa presidente do União Brasil de vender cargos e cobrar propina
Ex-aliado afirma que Antonio Rueda negociava diretórios estaduais e municipais em troca de dinheiro; atual líder nega e chama acusações de “delírios e calúnias”
O ex-presidente do União Brasil, deputado Luciano Bivar (PE), fez graves acusações contra o atual chefe do partido, Antonio Rueda. Segundo o parlamentar, Rueda vendia o controle de diretórios estaduais e municipais em troca de propina, prática que, de acordo com Bivar, ocorria em um apartamento alugado em São Paulo para “receber encomendas”.
“Em troca [dos diretórios], ele recebia propinas, e eu não acreditava que aquilo era verdade. Me penitencio muito por isso, porque não faltavam sinais, não faltavam denúncias”, declarou Bivar em entrevista.
Rueda, que deve presidir a futura federação do União Brasil com o PP — formando a maior agremiação política do país, com 109 deputados federais e 14 senadores —, nega todas as acusações. Em nota, classificou as falas como “delírios e calúnias” e afirmou que Bivar busca justificar sua “irrelevância política”.
Bivar e Rueda mantinham uma relação política e profissional de mais de 20 anos, até o rompimento em abril de 2024, quando o grupo ligado ao DEM apoiou Rueda para assumir a presidência do partido. O ex-dirigente afirma que presenciou “negociatas” em hotéis de luxo e que Rueda teria formado uma “quadrilha familiar” dentro da sigla para controlar votos e decisões.
“Ele conseguiu a maioria no diretório por conta de indicar empregados dele no Brasil inteiro”, disse Bivar, que também acusa o presidente do União Brasil de ostentar bens e carros de luxo incompatíveis com sua trajetória política.
Rueda rebateu as insinuações e, além de negar as práticas ilícitas, relembrou um episódio em que, segundo ele, Bivar teria ameaçado sua filha, então com 12 anos, fato que “descredibiliza” o ex-aliado “para a política e para qualquer brasileiro de bem”.
A crise interna ocorre em um momento decisivo para a legenda, que discute alianças eleitorais e o relacionamento com o governo Lula. Bivar afirma que deixará o União Brasil até abril de 2025 para se filiar a outro partido.
