Brasil
Escândalo de R$ 1 bilhão: outras gigantes do varejo entram na mira da Operação Ícaro
Além da Ultrafarma e da Fast Shop, investigação cita Grupo Nós (Oxxo), Rede 28, Kalunga e All Mix em esquema de propinas na Secretaria da Fazenda de SP
A Operação Ícaro, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) nesta terça-feira (12), revelou que o esquema de corrupção que levou à prisão de dirigentes da Ultrafarma e da Fast Shop pode ter envolvido outras gigantes do varejo brasileiro. Entre as empresas citadas na investigação estão o Grupo Nós (responsável pelas lojas de conveniência Oxxo), a Rede 28 de postos de combustíveis, a Kalunga e a distribuidora All Mix.
De acordo com o MP-SP, o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, da Diretoria de Fiscalização da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP), é apontado como o líder do esquema. Ele teria recebido mais de R$ 1 bilhão em propinas para liberar, de forma acelerada, pedidos milionários de ressarcimento de créditos de ICMS-ST para grandes empresas varejistas.
As investigações indicam que os pagamentos ilícitos eram feitos por meio de uma empresa de fachada, a Smart Tax, registrada em nome da mãe do auditor — uma professora aposentada de 73 anos. O patrimônio declarado dela teria saltado de R$ 411 mil em 2021 para R$ 2 bilhões em 2024, chamando a atenção dos investigadores.
Durante as buscas, a polícia apreendeu documentos, computadores e celulares que serão analisados para identificar o alcance da rede criminosa. O MP-SP também encontrou e-mails e minutas de contratos que indicam negociações com o Grupo Nós e outros varejistas, sugerindo que mais empresas podem ter aderido ao esquema.
Além de Artur, outros nomes surgem na investigação:
- Agnaldo de Campos, contador da Smart Tax, apontado como “testa de ferro” do auditor;
- Alberto Toshio Murakami, auditor aposentado, que possuía certificados digitais da Rede 28;
- As contadoras Fátima Regina Rizzardi e Maria Hermínia de Jesus Santa Clara, suspeitas de auxiliar nos pedidos fraudulentos de ressarcimento.
A Fast Shop afirmou, em nota, que ainda não teve acesso à investigação e que está colaborando com as autoridades. As demais empresas citadas não se manifestaram até o momento.
O Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de São Paulo (Sinafresp) repudiou qualquer ato de corrupção, destacando que se trata de um caso isolado e que a maioria dos profissionais atua de forma ética e comprometida. Já a Sefaz-SP informou que abriu procedimento administrativo para apurar a conduta do servidor e que colabora integralmente com o MP-SP.
O caso segue em apuração e pode ter novos desdobramentos, já que o MP-SP investiga se “outras grandes empresas do setor varejista também se valeram do mesmo esquema” para obter vantagens tributárias ilegais.
