Brasil
Polícia conclui que avião que matou o arquiteto Kongjian Yu bateu em árvore no Pantanal
Investigações revelam que aeronave tentou pouso fora do horário permitido, perdeu sustentação após colisão e caiu em Aquidauana (MS)
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul concluiu que o acidente aéreo que matou o renomado arquiteto e urbanista chinês Kongjian Yu, dois documentaristas brasileiros — Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz e Rubens Crispim Jr. — além do piloto Marcelo Pereira de Barros, foi provocado pela colisão do avião com uma árvore antes da queda, em Aquidauana, no Pantanal.
De acordo com a delegada Ana Cláudia Medina, responsável pela investigação, “bateu na árvore, perdeu sustentação, caiu e incendiou. Todos morreram na hora”. Galhos encontrados na fuselagem da aeronave e imagens feitas pela própria equipe ajudaram na reconstituição da dinâmica do acidente.
A aeronave, um Cessna 175 fabricado em 1958, tentou pousar em horário irregular. Segundo a polícia, o piloto iniciou a primeira tentativa de pouso às 18h03, já sem visibilidade, sendo obrigado a arremeter. Na segunda tentativa, colidiu com uma árvore de cerca de 20 metros, a apenas 300 metros da cabeceira da pista.
Limitações da aeronave e irregularidades
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) confirmou que o avião estava habilitado apenas para voos diurnos em condições visuais, sem equipamentos para operação noturna ou em mau tempo. Além disso, o registro do Cessna era para uso privado, sem autorização para operar como táxi aéreo.
Em 2019, a aeronave havia sido apreendida por transporte irregular de turistas, permanecendo parada até 2024. O advogado do piloto, Djalma Silveira, afirmou que Marcelo Barros nunca atuou como táxi aéreo, e que utilizava o avião para necessidades locais, como resgates e apoio em situações emergenciais no Pantanal.
“Os pilotos da região usam seus aviões para socorrer pessoas ilhadas e em emergências médicas. Não se tratava de serviço comercial”, disse o advogado, acrescentando que Barros vinha estruturando a empresa Aero Safari para turismo autorizado, mas não chegou a iniciar as operações devido ao acidente fatal.
Investigações em andamento
Apesar da conclusão preliminar da Polícia Civil, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira, segue com apurações técnicas para confirmar as circunstâncias do acidente e identificar fatores de segurança aérea.
O acidente repercutiu internacionalmente devido à relevância de Kongjian Yu, considerado um dos maiores arquitetos e urbanistas contemporâneos do mundo, conhecido por projetos inovadores de sustentabilidade e urbanismo ecológico.
