Brasil
Historiador israelense chama de “chocante” a situação no Rio de Janeiro
Em visita ao Brasil, o historiador Yuval Noah Harari apontou a realidade carioca como um alerta global para o desequilíbrio social e tecnológico
O historiador Yuval Noah Harari qualificou como “chocante” o cenário observado no Rio de Janeiro durante sua passagem pelo Brasil. Ele afirmou que a cidade reflete com clareza os impactos profundos da desigualdade, da insegurança e da fragmentação social, em um momento em que as transformações tecnológicas e sociais aceleram no mundo inteiro.
Harari destacou que, enquanto o mundo debate a ascensão da inteligência artificial, o colapso de instituições tradicionais e a crise das democracias, o Rio serve como exemplo realista e simbólico de como essas dinâmicas se manifestam em escala urbana. Para ele, não se trata apenas de violência ou pobreza, mas de uma ruptura deixada pela soma de fatores econômicos, tecnológicos e de governança.
Segundo o pesquisador, ambientes como o do Rio de Janeiro exigem urgentemente que se façam perguntas que normalmente são formuladas apenas em nível global: “Como lidar com comunidades inteiras que se sentem excluídas dos sistemas de proteção? Como garantir que a nova onda tecnológica não amplie ainda mais o fosso social?” Para ele, a cidade representa um “laboratório” em que emergem não só problemas locais, mas fragilidades de toda a civilização contemporânea.
Ao perceber a cidade como micro-escala de fenômenos globais, Harari sugeriu que a resposta para esses desafios vai além da repressão policial ou do investimento pontual: demanda estrutura institucional que una inovação, justiça social e regulação inteligente. Ele concluiu dizendo que se o Rio não conseguir alterar seu curso, “é possível que vejamos versões semelhantes deste choque em outras metrópoles do mundo antes de 2050”.
