Bahia
CV ocupa vácuo das milícias no Rio e avança forte na Amazônia
Facção Comando Vermelho amplia domínio territorial ao se aproveitar do esvaziamento de milícias no Rio e disputa rota da Amazônia com o Primeiro Comando da Capital
A facção Comando Vermelho (CV) está em fase de expansão acelerada: com o esvaziamento de milícias no Rio de Janeiro, o grupo aproveitou para assumir o controle de territórios estratégicos no estado e ao mesmo tempo intensificou sua penetração na Amazônia Legal, onde disputa espaço com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
No cenário fluminense, o enfraquecimento das milícias criou um vácuo de poder local, que o CV preencheu com rapidez por meio de táticas de domínio territorial e aliança com redes criminosas menores. O resultado é uma facção que se fortalece, organiza e consolida presença mesmo em comunidades antes dominadas por outros grupos.
Simultaneamente, na região amazônica, o CV explora rotas logísticas, garimpos ilegais e redes ambientais para expandir atuação. A escalada marca o momento em que o crime organizado deixa de ser urbano-metropolitano e assume uma articulação nacional: o CV aparece como agente central de um novo mapa do crime, com ênfase em fronteiras, rios, florestas e contratos internos.
A disputa com o PCC também ganha força: as duas organizações se chocam em áreas de garimpo, extração ilegal de madeira e narcotráfico, configurando uma guerra de facções que vai além das favelas e atinge zonas de floresta, rio e loteamentos no interior. Esse embate traz risco de escalada de violência em múltiplas frentes, para além dos centros urbanos.
Para as autoridades de segurança pública, o avanço do CV implica desafios graves: a necessidade de repensar o enfrentamento, ampliar a inteligência nas regiões remotas, integrar operações federais e estaduais e agir sobre o modelo de expansão territorial das facções — que hoje operam como verdadeiros grupos paramilitares ou econômicos.
Em resumo, o CV aproveita dois fenômenos simultâneos — milícias em retração no Rio e oportunidades estratégicas na Amazônia — para aumentar sua relevância no cenário nacional do crime. A resposta exigirá articulação, recursos e estratégia que igualem o caráter transnacional e multissetorial do desafio.
