Brasil
A COP de Belém e os riscos para o clima tropical
Especialistas apontam que o modelo adotado na conferência ecológica regional pode ter evitado uma crise climática mais severa — mas não sem falhas estruturais importantes.
A realização da COP de Belém, evento climático focado na Amazônia, gerou discussões intensas sobre a eficácia de conferências ambientais baseadas em modelos regionais. Para muitos analistas, a estratégia evitou um agravamento mais dramático da crise climática na Amazônia, mas revelou fragilidades que colocam em risco sua sustentabilidade a longo prazo.
Um dos méritos mais destacados foi a atenção dada aos povos indígenas e ao bioma amazônico, com pautas centradas em cultura local e biodiversidade. Ao priorizar a participação direta das comunidades tradicionais, a COP regional conseguiu dar voz a atores muitas vezes marginalizados nos encontros globais, fortalecendo a legitimidade das decisões.
Por outro lado, o modelo apresentou limitações no quesito captação de recursos financeiros. A ausência de compromissos econômicos robustos manteve os projetos de conservação em um nível de dependência instável, o que pode comprometer sua continuidade sem a mobilização de parceiros de longo prazo.
Além disso, a COP de Belém enfrentou o desafio de transformar planos ambiciosos em ações concretas. Metas definidas durante a conferência ainda não se traduziram necessariamente em políticas públicas ou investimento governamental em larga escala, o que gera preocupação sobre o ritmo de implementação.
Outra crítica importante foi a carência de mecanismos de fiscalização e monitoramento claros. Sem um sistema eficiente de verificação de custos e impactos, existe o risco de que as promessas feitas durante a conferência não sejam confiáveis a médio prazo.
Mesmo com os problemas, especialistas admitem que a COP de Belém evitou uma crise climática mais profunda, especialmente ao fortalecer o compromisso regional com a preservação. O balanço sugere que, para progredir, será necessário adotar um modelo híbrido que combine a participação local com o apoio internacional e financiamento sustentável.
A próxima etapa — segundo estudiosos — é a consolidação de uma governança climática robusta para a Amazônia, capaz de transformar discursos em programas permanentes, seguidos de monitoramento técnico e transparência institucional. Sem essa evolução, o risco é que a conferência de Belém se torne apenas um evento simbólico, incapaz de gerar impacto real.
