Brasil
Projeto pode tirar cônjuge da herança obrigatória
Mudança no Código Civil proposta em 2025 gera debate e pode alterar planejamento sucessório das famílias
Uma das alterações mais profundas e controversas previstas no Projeto de Lei 4/2025, que propõe a atualização do Código Civil brasileiro, promete mudar radicalmente as regras de sucessão no país: a retirada do cônjuge ou companheiro da lista de herdeiros necessários.
Atualmente, o cônjuge possui direito garantido à herança, independentemente de testamento, o que assegura proteção patrimonial ao sobrevivente. Com a proposta, essa obrigatoriedade deixaria de existir, permitindo maior liberdade na divisão de bens, mas também gerando riscos de desamparo para quem fica.
A mudança divide especialistas do direito. Parte defende que a medida amplia a autonomia individual no planejamento sucessório, enquanto outros alertam para possíveis impactos sociais, especialmente em casos onde o parceiro dependia economicamente da relação. A ausência de garantia legal pode exigir maior atenção na formalização de testamentos e acordos patrimoniais.
Com o novo cenário, advogados recomendam que casais passem a revisar suas estratégias de proteção patrimonial. Instrumentos como testamentos, doações em vida e contratos específicos podem se tornar ainda mais relevantes para garantir segurança jurídica e evitar disputas familiares.
O debate em torno do projeto também levanta questionamentos sobre o equilíbrio entre liberdade individual e proteção familiar. Caso aprovado, o texto pode representar uma das maiores mudanças no direito sucessório brasileiro nas últimas décadas, impactando diretamente milhões de famílias.
A proposta ainda deve passar por discussões no Congresso Nacional, onde tende a enfrentar resistência e ajustes antes de uma eventual aprovação.
