Polícia
Feminicídios atingem maior nível da última década no Brasil
Anuário aponta aumento de 4% nos casos em 2025 e destaca que violência contra mulheres cresce mesmo com queda das mortes violentas no país
O Brasil registrou o maior número de feminicídios dos últimos dez anos, revelando um cenário preocupante para a segurança das mulheres. De acordo com o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23), 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, representando um aumento de 4% em comparação ao ano anterior, mesmo diante da redução geral das mortes violentas no país.
O levantamento evidencia um paradoxo na segurança pública brasileira: enquanto os índices gerais de violência letal apresentam queda, os assassinatos motivados pela condição de gênero continuam crescendo, indicando que esse tipo de crime possui características e desafios específicos que exigem políticas públicas direcionadas.
Segundo a análise apresentada no anuário, o crescimento dos feminicídios supera a média registrada nos últimos anos, que era de aproximadamente 1%. Especialistas apontam que a disseminação de discursos misóginos, a reação à maior autonomia feminina e a redução de investimentos em ações preventivas estão entre os fatores que contribuem para o agravamento desse cenário.
Os dados também mostram que a residência continua sendo o local mais perigoso para as mulheres, concentrando 62,5% dos feminicídios registrados. Além disso, em 79,8% dos casos identificados, o autor do crime era o companheiro ou ex-companheiro da vítima, reforçando que a violência doméstica permanece como um dos principais desafios no enfrentamento à violência de gênero.
Outro aspecto destacado pelo estudo é o meio utilizado nos crimes. A arma branca foi empregada em 50,8% dos feminicídios, indicando que a maioria dos assassinatos ocorre em situações de proximidade entre vítima e agressor, frequentemente dentro do ambiente familiar.
O levantamento reforça a necessidade de ampliar as estratégias de prevenção, fortalecer a rede de proteção às mulheres e intensificar políticas públicas voltadas ao combate à violência doméstica e ao feminicídio. Especialistas alertam que o enfrentamento desse tipo de crime depende de ações integradas entre segurança pública, justiça, assistência social, educação e conscientização da sociedade, visando reduzir os índices e proteger as vítimas em situação de vulnerabilidade.
