Saúde
Câncer de mama: tratamento depende do tipo de tumor
Quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia têm funções diferentes e são indicadas conforme o estágio da doença, as características biológicas do tumor e as condições de cada paciente.
O tratamento do câncer de mama é individualizado e pode envolver diferentes modalidades terapêuticas, de acordo com as características da doença. Enquanto algumas mulheres precisam de quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia, outras podem ser tratadas sem a necessidade de todas essas abordagens.
Segundo o Dr. Daniel Argolo, oncologista clínico e coordenador do serviço de câncer de mama do Hospital Mater Dei Salvador, cada procedimento tem uma finalidade específica e pode ser combinado com outros ao longo do tratamento, conforme a avaliação médica.
A definição da estratégia considera fatores como tamanho do tumor, estágio da doença, comprometimento dos linfonodos e resultados dos exames realizados a partir da biópsia.
Qual é a diferença entre quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia?
A radioterapia é um tratamento local, direcionado à mama ou às regiões dos linfonodos, quando indicado. Seu objetivo é destruir possíveis células cancerígenas remanescentes após a cirurgia e diminuir o risco de retorno da doença na área tratada.
Já a quimioterapia é um tratamento sistêmico, que utiliza medicamentos para combater células cancerígenas no organismo. Ela pode ser realizada antes ou depois da cirurgia, dependendo do tipo e do estágio do câncer.
A hormonioterapia, também chamada de endocrinoterapia, é indicada para tumores que apresentam receptores hormonais positivos. O tratamento bloqueia a ação dos hormônios que podem estimular o crescimento dessas células tumorais e, em determinadas situações, pode durar de cinco a dez anos.
Embora tenham mecanismos diferentes, essas terapias podem ser complementares. A indicação depende dos benefícios esperados para cada paciente.
Como o médico escolhe o tratamento?
A escolha entre as modalidades leva em conta o tamanho do tumor, a presença de células cancerígenas nos linfonodos e as características biológicas identificadas nos exames.
De acordo com Daniel Argolo, a quimioterapia costuma ser considerada quando existem fatores associados a um maior risco de recorrência do câncer. A presença de receptores hormonais e da proteína HER2 também ajuda a identificar o subtipo da doença e a orientar a decisão terapêutica.
Em algumas pacientes com tumores que apresentam receptores hormonais positivos, testes genômicos podem auxiliar na avaliação da necessidade de quimioterapia, indicando se a inclusão desse tratamento tende a oferecer benefícios.
A radioterapia é frequentemente recomendada após cirurgias conservadoras, que preservam parte da mama. Ela também pode ser necessária depois da mastectomia, especialmente quando há tumores maiores ou comprometimento dos linfonodos.
Subtipo do câncer influencia a abordagem
O câncer de mama não é uma doença única. Existem diferentes subtipos, com comportamentos e respostas distintas aos tratamentos. Por isso, a identificação das características do tumor é fundamental para definir a estratégia mais adequada.
Nos tumores com receptores hormonais positivos, a hormonioterapia costuma ter papel central. Dependendo do estágio e dos resultados dos exames complementares, algumas pacientes podem não precisar de quimioterapia.
Nos casos de câncer de mama HER2 positivo, podem ser utilizadas terapias-alvo, desenvolvidas para agir especificamente sobre essa proteína, geralmente associadas à quimioterapia.
Já nos tumores triplo-negativos, que não apresentam receptores de estrogênio, progesterona ou HER2, a quimioterapia tem papel importante e pode ser combinada à imunoterapia em situações específicas.
Essas diferenças explicam por que mulheres com diagnósticos semelhantes podem receber tratamentos distintos. A decisão deve considerar as características da doença, as condições clínicas e os benefícios e riscos de cada abordagem.
Tratamento pode começar antes da cirurgia
Em determinados casos, a quimioterapia é realizada antes da cirurgia. Essa estratégia é chamada de tratamento neoadjuvante e pode ser indicada para tumores maiores ou para alguns subtipos, como o HER2 positivo e o triplo-negativo.
Segundo o oncologista, a abordagem pode reduzir o tamanho do tumor e possibilitar, em alguns casos, uma cirurgia menos extensa. Além disso, permite avaliar como a doença responde aos medicamentos, informação que pode ajudar a orientar as próximas etapas do tratamento.
Por outro lado, em tumores pequenos e sem comprometimento dos linfonodos, a cirurgia pode ser o primeiro procedimento, conforme a avaliação da equipe médica.
O planejamento do tratamento do câncer de mama deve ser individualizado, com base nos exames, no subtipo do tumor e nas condições de cada mulher. A avaliação especializada é essencial para determinar quais terapias são necessárias e em que momento devem ser realizadas.
