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El Niño aumenta alerta para incêndios na Amazônia

Lideranças indígenas do Baixo Tapajós reforçam a preparação contra queimadas e secas extremas após experiências devastadoras; falta de água e risco à segurança alimentar preocupam comunidades.

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Comunidades indígenas do Baixo Tapajós, no oeste do Pará, estão reforçando a preparação para enfrentar possíveis incêndios florestais e períodos de seca associados ao fenômeno climático El Niño. A preocupação é motivada pelas experiências de anos anteriores, quando queimadas destruíram moradias, áreas de cultivo e estruturas essenciais para a sobrevivência das famílias.

Na aldeia Muruary, em Santarém, um incêndio ocorrido na virada de 2015 para 2016 deixou marcas profundas. Na época, os indígenas, liderados pela cacica Hélia Kumaruara, tentaram conter o avanço das chamas, mas enfrentaram a falta de água até mesmo no igarapé utilizado pela comunidade.

“O fogo acabou com toda a aldeia: as casas, as casas de farinha, os roçados. Perdemos tudo”, recordou Tainan Kumaruara, de 38 anos, filha da cacica.

A experiência histórica voltou a preocupar os moradores diante da possibilidade de um novo período de condições climáticas extremas. O El Niño pode intensificar o calor e agravar a seca em partes da Amazônia, aumentando o risco de incêndios florestais, embora os impactos dependam da intensidade do fenômeno e das condições climáticas de cada região.

Brigadistas indígenas reforçam combate às queimadas

Tainan Kumaruara, que coordena a Brigada Guardiões Kumaruara e integra a Rede de Brigadas do Baixo Tapajós, afirma que as comunidades estão buscando se preparar melhor para enfrentar novos episódios de seca e incêndios.

Entre as prioridades estão a redução dos problemas relacionados à falta de água e a proteção da segurança alimentar das famílias, que dependem diretamente dos recursos naturais e das áreas de cultivo.

Na segunda semana de outubro, brigadistas precisaram atuar no combate a incêndios registrados na região. Segundo Tainan, as chamas estavam fora da Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns, unidade de conservação que se sobrepõe parcialmente a territórios indígenas.

“Estamos combatendo pelo compromisso que temos com a causa. E também para que esse fogo não entre na Resex”, explicou a liderança indígena.

A atuação das brigadas busca impedir que o fogo alcance áreas protegidas e provoque novos danos à vegetação, à biodiversidade e às comunidades que vivem na região.

Organizações indígenas elaboram estratégias de adaptação

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) também acompanha os efeitos dos eventos climáticos extremos e desenvolveu um plano de adaptação para ajudar os povos indígenas a enfrentar os impactos do El Niño.

Segundo Ruan Guajajara, técnico da Gerência de Monitoramento Territorial Indígena da entidade, o ciclo de 2023 e 2024 deixou lembranças preocupantes em diferentes territórios da Amazônia.

Desde a criação da gerência de monitoramento, em 2023, a organização identificou comunidades submetidas a períodos de seca intensa, com dificuldades de deslocamento e acesso a serviços e recursos básicos.

Entre os problemas relatados estão a falta de água potável, alimentos e medicamentos, além do isolamento de comunidades devido às condições ambientais.

Essas dificuldades evidenciam a vulnerabilidade de populações que dependem dos rios para transporte, abastecimento e acesso a serviços essenciais.

Seca ameaça água, alimentos e territórios indígenas

Os efeitos das secas extremas vão além da destruição causada diretamente pelas chamas. A redução dos níveis dos rios e igarapés pode comprometer o abastecimento de água, dificultar o transporte de pessoas e mercadorias e prejudicar a produção de alimentos.

Nas comunidades indígenas, esses impactos também ameaçam práticas tradicionais de cultivo, pesca e manejo do território.

Por isso, a prevenção de incêndios, o fortalecimento das brigadas indígenas e a garantia de acesso à água e aos alimentos estão entre as principais prioridades das lideranças locais.

A preparação antecipada é considerada fundamental para reduzir os prejuízos de novos eventos climáticos extremos e proteger as famílias que vivem na floresta.

A experiência da aldeia Muruary demonstra a dimensão dos riscos enfrentados pelas comunidades do Baixo Tapajós. Diante da possibilidade de condições climáticas adversas, indígenas e organizações regionais buscam ampliar sua capacidade de resposta para evitar que tragédias anteriores voltem a se repetir.

Redação Saiba+

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