Brasil
Em dois anos, Lula já esteve em 34 países
Presidente retoma padrão diplomático do primeiro mandato e afirma que “viaja para fazer negócios”, com foco em fortalecer relações comerciais e políticas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem marcado seu terceiro mandato por uma agenda internacional intensa, semelhante à que conduziu em seu primeiro governo. Em dois anos e meio à frente do Palácio do Planalto, Lula já visitou 34 países, consolidando sua estratégia de recolocar o Brasil como ator de peso no cenário global.
Atualmente na França, onde realiza uma visita de Estado até segunda-feira (9), o presidente reforçou que não viaja por lazer, mas por objetivos estratégicos. “Lula viaja tanto por quê? Para passear? Não. Eu viajo para fazer negócio, para fazer com que os países em que eu visito cresçam a relação comercial, política e cultural com o meu país”, afirmou nesta quinta-feira (5), ao lado do presidente francês Emmanuel Macron.
Durante o encontro, Lula voltou a pressionar a França a avançar no acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, fazendo um apelo direto a Macron para “abrir o coração” e facilitar o entendimento entre os blocos.
O país mais visitado por Lula até agora foi o Uruguai, com quatro viagens. A primeira ocorreu logo no início do mandato, após passagem pela Argentina. O Uruguai voltou à agenda em dezembro de 2024, com a cúpula do Mercosul que anunciou a conclusão das negociações com a União Europeia. Em 2025, Lula retornou ao país duas vezes: para a posse de Yamandú Orsi e, mais recentemente, para o velório do ex-presidente José “Pepe” Mujica, figura admirada pelo petista.
Estados Unidos e Itália aparecem em seguida na lista de países mais visitados. Nova York, sede da ONU, recebeu Lula para as Assembleias-Gerais de 2023 e 2024, eventos que tradicionalmente têm o Brasil como primeiro orador. Ele também esteve em Washington, em fevereiro de 2023, onde se reuniu com o presidente Joe Biden.
Na Itália, Lula compareceu ao funeral do Papa Francisco, em abril de 2025, em uma agenda marcada por simbolismo político e religioso.
A China, principal parceira comercial do Brasil, também recebeu atenção especial: Lula esteve em Pequim duas vezes, buscando estreitar laços econômicos e ampliar acordos bilaterais estratégicos.
Esse movimento diplomático remete aos tempos de seu primeiro mandato (2003-2006), quando o presidente visitou 45 países até o meio do terceiro ano de governo. À época, Estados Unidos e Venezuela foram os destinos mais frequentes. Também houve uma ênfase na África, com passagens por 12 países africanos em apenas três viagens diferentes.
Já nos governos seguintes, houve retração na política externa ativa. Dilma Rousseff visitou 29 países no mesmo período. Michel Temer, que assumiu após o impeachment de Dilma, visitou 16 países em pouco mais de dois anos, com destaque para sua ida à China um dia após tomar posse. Jair Bolsonaro, por sua vez, teve a agenda impactada pela pandemia da Covid-19 e esteve em 13 países até meados de 2021, sendo os EUA o destino mais frequente.
Com a retomada das viagens, Lula reafirma o papel internacional do Brasil e busca consolidar uma diplomacia voltada à reintegração global, ao comércio exterior e ao fortalecimento de alianças políticas e econômicas.
