Brasil
Banco Central eleva projeção do PIB para 2,1% em 2025
O Banco Central revisou para cima a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil em 2025, passando de 1,9% para 2,1%. A nova estimativa, divulgada nesta quinta-feira (26) no Relatório de Política Monetária, reflete um primeiro semestre mais aquecido do que o previsto e uma leve melhora nas perspectivas da produção agrícola.
Mesmo com a revisão otimista, a autoridade monetária mantém o diagnóstico de desaceleração da atividade econômica ao longo do segundo semestre, em razão do atual ciclo de alta dos juros.
O relatório do BC, que passou a substituir o antigo relatório trimestral de inflação, ainda destaca o impacto positivo da recuperação do mercado de trabalho e das recentes mudanças nas regras do crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada, que podem estimular o consumo das famílias — embora com grau elevado de incerteza.
Atualmente, a projeção do BC está abaixo da estimativa do Ministério da Fazenda, que prevê um crescimento de 2,4% para o ano. O mercado financeiro também está mais otimista: a expectativa média dos analistas é de uma expansão de 2,21% em 2025, segundo o último boletim Focus.
Juros altos e perspectiva de inflação
O cenário de crescimento moderado ocorre em meio ao aperto monetário promovido pelo Copom (Comitê de Política Monetária). Na última reunião, o colegiado decidiu elevar a taxa Selic para 15% ao ano, o maior nível desde 2006. O movimento de alta, embora mais lento — 0,25 ponto percentual —, visa conter a inflação ainda acima do teto da meta.
O relatório projeta que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fechará 2025 em 4,9%, recuando para 3,6% em 2026 e para 3,2% em 2027. A meta de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
A probabilidade de o IPCA ultrapassar o limite da meta este ano é de 68%, um número ainda elevado, mas levemente inferior ao observado no relatório anterior (70%). Já para 2026, essa chance é de 26%, e para 2027, de 17%.
Pelo novo critério adotado pelo BC, o descumprimento da meta só ocorre se a inflação ultrapassar o intervalo de tolerância por seis meses consecutivos, independentemente do mês ou do ano.
Equilíbrio entre crescimento e estabilidade
A autoridade monetária reforça que o crescimento projetado ainda depende de fatores externos, do comportamento fiscal e da evolução das expectativas de inflação. Embora os sinais do primeiro semestre sejam positivos, o cenário ainda exige cautela. A combinação entre juros elevados e incertezas globais pode afetar o ritmo da retomada econômica brasileira.
