Brasil
Bolsonaro agradece Trump e fala em “perseguição política”
Ex-presidente brasileiro reagiu ao apoio de Trump, que criticou o Supremo e defendeu julgamento nas urnas. Aliados bolsonaristas também repercutiram.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) agradeceu nesta segunda-feira (8) o apoio público manifestado por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Em publicação na rede Truth Social, Trump classificou como “caça às bruxas” as ações judiciais contra o aliado brasileiro e defendeu que Bolsonaro seja julgado “pelo povo, nas eleições”.
Bolsonaro respondeu nas redes sociais, afirmando que a manifestação do republicano o deixou “com muita alegria” e acusou o Supremo Tribunal Federal (STF) de promover um “processo de perseguição política”.
“Este processo ao qual respondo é uma aberração jurídica (lawfare), clara perseguição política, já percebida por todos de bom senso”, escreveu Bolsonaro. “Obrigado por existir e nos dar exemplo de fé e resiliência.”
Trump havia elogiado Bolsonaro como “líder forte, negociador duro” e acusou as instituições brasileiras de tentar silenciar um adversário político, citando a própria experiência com o sistema judiciário americano. “Deixem Bolsonaro em paz”, concluiu o republicano.
Inelegibilidade e julgamento
Bolsonaro foi declarado inelegível por oito anos em 2023, após condenação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante a campanha de 2022. Também responde como réu no STF por suposta participação na tentativa de golpe após a derrota para Lula.
Na ação penal em curso, Bolsonaro e aliados são acusados de crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e deterioração de patrimônio público. O processo está em fase de alegações finais e pode ir a julgamento ainda neste semestre.
Reações políticas
A fala de Trump ecoou entre aliados de Bolsonaro. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), declarou: “Força, presidente! O julgamento cabe ao povo brasileiro”. O deputado Eduardo Bolsonaro afirmou que essa foi “a primeira de outras ações que virão dos EUA”. O senador Flávio Bolsonaro também parabenizou a articulação internacional.
Já o senador Ciro Nogueira e o ex-ministro Rogério Marinho criticaram o STF, alegando que a forma como Bolsonaro está sendo tratado “gera indignação no Brasil e no mundo”.
Gustavo Gayer (PL-GO) aproveitou para ironizar o presidente Lula por criticar Trump enquanto visitava Cristina Kirchner, ex-presidente argentina condenada por corrupção. “Vai defender uma condenada na Argentina e quer criticar Trump por defender Bolsonaro?”, questionou.
O vereador Adrilles Jorge (União Brasil-SP) e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) afirmaram que o STF estaria promovendo perseguição com viés político. Já o ex-deputado Deltan Dallagnol avaliou que a fala de Trump é um “recado claro e direto para quem está por trás dessa perseguição”.
Governo reage
O presidente Lula respondeu de forma dura à declaração de Trump, afirmando que “o Brasil é um país soberano” e que não aceitará “tutela de ninguém”. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disse que Trump está “mal informado” e deveria “cuidar dos seus próprios problemas”.
A crise entre apoiadores de Bolsonaro e o STF permanece como um dos focos de instabilidade institucional no país, agora com eco internacional.
