Bahia
Bombeiro passa mal e é levado ao hospital após missão em água contaminada em Vitória da Conquista
Durante buscas pelo servidor Fábio de Araújo, militar ficou exposto à água contaminada no “Pinicão” e precisou de atendimento médico urgente
Durante operação de busca por Fábio de Araújo Silva, servidor público desaparecido desde o dia 20 de junho em Vitória da Conquista, um dos militares do Corpo de Bombeiros da Bahia foi submetido a condições extremas e contaminado durante mergulho em área de água contaminada, sendo encaminhado ao hospital para tratamento de emergência.
O caso aconteceu no dia 12 de julho, nos tanques da Estação de Tratamento de Esgoto da Embasa, conhecidos como “Pinicão”. A operação mobilizou equipes especializadas em mergulho do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBMBA), que atuaram com equipamentos de proteção individual em ambiente altamente contaminado e sem visibilidade.
Por volta do meio-dia, a roupa de mergulho de um dos bombeiros apresentou falha crítica, permitindo o contato direto com a água contaminada por meio dos selantes da luva e pelas costas. A missão foi imediatamente suspensa, e o militar foi descontaminado às pressas antes de ser encaminhado ao Hospital SAMUR, onde passou por atendimento médico e foi orientado a aguardar possíveis sintomas de infecção. Ele também recebeu medicação antiparasitária preventiva, como medida de precaução.
A possível contaminação ocorreu em meio a uma operação sensível, realizada em local sem qualquer visibilidade, após sinalização feita por um cão de busca conduzido por um voluntário. Apesar do esforço, a vítima não foi localizada. O militar ficou no hospital até às 16h e, após o atendimento, foi liberado. O Corpo de Bombeiros informou que providências médicas e administrativas foram adotadas.
Entenda o caso
Vitória da Conquista vive dias de angústia e indignação. O desaparecimento do servidor municipal Fábio de Araújo Silva, que sumiu nas imediações do Estádio Lomanto Júnior, escancara a grave precariedade estrutural do Corpo de Bombeiros da Bahia.
As buscas foram iniciadas apenas no dia 1º de julho e precisaram ser suspensas por tempo indeterminado diante dos riscos biológicos da lagoa de decantação da Embasa, onde as equipes suspeitam que Fábio possa ter caído. Sem o uso de equipamentos adequados como a roupa seca para ambientes poluídos, qualquer mergulho se torna um risco de contaminação.
Mesmo diante da urgência e da comoção da comunidade local, faltam recursos, estrutura e segurança mínima para os profissionais atuarem em campo. A ocorrência segue em investigação, e o atestado de origem da operação será emitido pelo 7º Batalhão de Bombeiros de Vitória da Conquista.
Casos anteriores escancaram a precariedade do Corpo de Bombeiros
O episódio envolvendo o servidor Fábio não é isolado. Em fevereiro de 2025, um catador de materiais recicláveis desapareceu ao tentar recolher objetos em um córrego em Cajazeiras 6, Salvador. Moradores relataram que ele teria sido atacado por uma cobra ao tentar resgatar uma bola. As buscas precisaram ser suspensas por falta de material descontaminante, e o corpo só foi encontrado dias depois, durante a limpeza do local com retroescavadeira.
Outro caso ocorreu durante o Carnaval de março de 2025, no Dique do Tororó, também em Salvador. Um jovem foi forçado a pular na água por agressores e desapareceu. O corpo só foi encontrado dois dias depois, já boiando. Na ocasião, bombeiros relataram formalmente ao Ministério Público que a operação foi iniciada sem a roupa seca exigida pelas normas, expondo os mergulhadores a risco biológico direto.
Em abril, na Lagoa da Timbalada (Pedreira do Cabula), o adolescente Gustavo Ferreira Bispo, de 14 anos, desapareceu após mergulhar. Sem o traje adequado, as equipes só conseguiram atuar após o corpo boiar, mais de 24 horas depois. Todos os casos demonstram uma constante: falta de equipamento básico de segurança, atrasos nas buscas e risco à saúde de profissionais e civis.
