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Até onde Lula e Moraes vão aguentar? Entenda bastidores da crise com Trump

Operação contra Bolsonaro acirra tensão com os EUA; Trump sobe o tom, e ministros do STF já discutem novos cenários diante da pressão internacional

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, durante solenidade de Ordem ao Mérito da corte — Foto: Cristiano Mariz

A operação da Polícia Federal (PF) que impôs medidas restritivas a Jair Bolsonaro, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, provocou uma reação em cadeia que já reverbera no cenário internacional e intensifica a crise diplomática com os Estados Unidos.

No centro do conflito estão o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o presidente Lula, apontados por aliados de Donald Trump como protagonistas de uma escalada autoritária no Brasil.

A ofensiva contra Bolsonaro ocorreu logo após a divulgação de uma carta aberta de Trump, onde o ex-presidente americano acusou o Brasil de censura e perseguição política. O episódio provocou uma resposta imediata de Washington: os vistos de Moraes e seus familiares foram revogados. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado Marco Rubio, que confirmou ainda a intenção de impor novas sanções contra integrantes do STF.

Nos bastidores do Supremo, ministros admitiram que uma prisão preventiva de Bolsonaro chegou a ser cogitada, mas prevaleceu a adoção de medidas alternativas. A avaliação era de que um mandado de prisão poderia dividir a corte e agravar ainda mais a tensão diplomática, especialmente diante da pressão internacional e da retaliação econômica dos EUA.

A decisão de Moraes que determinou o uso da tornozeleira apontou que as tarifas de 50% anunciadas por Trump sobre produtos brasileiros seriam uma forma de pressionar politicamente o STF a não condenar Bolsonaro.

Pressão cresce sobre o governo Lula

O Palácio do Planalto adotou uma postura cautelosa. A Secom orientou ministros a não comentarem publicamente a operação, numa tentativa de blindar o governo e não transformar o caso em uma crise de Estado. Apesar do silêncio, interlocutores de Lula temem que a escalada de Trump continue.

Na sexta-feira (18), o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a afirmar que mantém tratativas com o governo americano para endurecer as sanções contra o Brasil, como forma de responder à perseguição ao seu pai e ao ministro Moraes.

A possibilidade de fuga de Bolsonaro foi um dos principais argumentos utilizados por Moraes para justificar as medidas restritivas. Segundo a decisão, a apreensão de dólares em espécie e manifestações públicas de aliados nos EUA reforçam a tese de um plano para sair do Brasil.

Crise diplomática se agrava com ameaça de novas sanções

A tensão entre Brasília e Washington ganhou um novo capítulo com a possibilidade de o Brasil ser alvo da Lei Magnitsky, legislação americana que permite punir agentes públicos de outros países envolvidos em abuso de poder ou violações de direitos humanos.

A juíza aposentada Ludmila Lins Grilo, que vive atualmente nos EUA, disse que Moraes e aliados no STF já estão na mira da legislação americana, o que pode resultar em bloqueio de bens, restrições bancárias e sanções pessoais.

Empresários brasileiros do agronegócio e da indústria de tecnologia já expressam preocupação com os impactos das sanções e da instabilidade nas relações comerciais com os Estados Unidos.

“A briga entre Moraes e Trump está ultrapassando as fronteiras jurídicas e se transformando numa crise econômica e diplomática sem precedentes”, analisa o economista Gilberto Tenório, consultor de comércio exterior.

Risco de isolamento internacional preocupa aliados do governo

Aliados do Planalto, como o senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP), minimizaram os impactos e afirmaram que o Brasil não deve se curvar a ameaças estrangeiras. Já outros parlamentares, como o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), alertam para o risco de isolamento internacional do Brasil em plena desaceleração econômica.

No Congresso, deputados da oposição afirmam que Lula e Moraes alimentaram uma guerra política com consequências globais. A presença cada vez maior de China, Rússia e Irã na diplomacia brasileira só acirra a desconfiança dos EUA.

Não é mais Bolsonaro contra o STF. É o Brasil de Lula contra os Estados Unidos de Trump. A escalada pode custar caro para o país inteiro”, conclui o cientista político Adriano Cerqueira, do Ibmec.

Redação Saiba+

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