Brasil
Brasil e EUA negociam acordo para evitar tarifaço e ampliar comércio bilateral
Vice-presidente Alckmin lidera tratativas com os EUA e propõe dobrar relação comercial em cinco anos; conversas ocorrem sem envolvimento de Bolsonaro
O governo brasileiro, sob liderança do vice-presidente Geraldo Alckmin, está conduzindo uma série de negociações discretas com os Estados Unidos para evitar a imposição de uma tarifa de 50% sobre exportações brasileiras, anunciada pelo ex-presidente Donald Trump. O tarifaço está previsto para entrar em vigor em 1º de agosto, caso não haja acordo.
As tratativas, descritas por Alckmin como a primeira vez em que o diálogo “sai do perde-perde para o ganha-ganha”, vêm sendo feitas diretamente com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, por meio de videoconferências. O vice-presidente destacou que a mediação está sendo feita sob orientação do presidente Lula e sem qualquer viés político ou ideológico.
“Foi uma conversa longa, de aproximadamente 50 minutos. O presidente Lula tem insistido na importância de manter a diplomacia comercial despolitizada”, afirmou Alckmin, que também comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
A ofensiva diplomática se intensificou após o anúncio de Trump, que relacionou a tarifa a questões políticas internas brasileiras, incluindo o julgamento de Jair Bolsonaro pelo STF e processos contra big techs americanas no Brasil. Apesar disso, Bolsonaro não é tema das negociações, e sua situação jurídica — atualmente com uso de tornozeleira eletrônica por ordem do ministro Alexandre de Moraes — não entra nas conversas.
Ampliação da relação comercial e investimentos
Durante a reunião de sábado, Alckmin e a comitiva brasileira apresentaram propostas concretas para dobrar o volume de comércio bilateral em cinco anos. Os Estados Unidos são o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China. Em contrapartida, o Brasil enfrenta um déficit comercial com os EUA: US$ 590 milhões em junho e US$ 1,67 bilhão no primeiro semestre de 2025.
Os norte-americanos também ocupam a segunda posição entre os maiores exportadores para o Brasil, reforçando a necessidade de reequilibrar a balança. Uma das propostas prioritárias é o acordo de bitributação, reivindicação antiga do setor privado, que pretende evitar a dupla tributação e atrair investimentos com maior segurança jurídica.
Interesse dos EUA em minerais estratégicos
Outro ponto sensível das negociações é o interesse americano em minerais críticos brasileiros, essenciais para setores de alta tecnologia, defesa e transição energética. Elementos como lítio, cobalto, níquel e terras raras estão no radar dos EUA, devido à sua importância para baterias, turbinas e semicondutores.
Segundo Alckmin, a pauta da mineração ainda está em fase exploratória, mas há grande potencial de expansão. Atualmente, apenas 3% das exportações brasileiras de mineração têm os EUA como destino, enquanto o Brasil importa mais de 20% de máquinas e equipamentos americanos.
Nesta semana, o encarregado de negócios da embaixada dos EUA, Gabriel Escobar, reforçou esse interesse em reunião com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), em Brasília. O encontro contou com a presença de Raul Jungmann e Fernando Azevedo, representantes da entidade, e serviu para alinhar expectativas e possibilidades futuras de cooperação no setor.
