Política
Carla Zambelli se diz exilada política na Itália e agradece apoio de Flávio Bolsonaro
Deputada foragida grava vídeo após senador pedir ao governo italiano que a receba como perseguida política
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) afirmou estar vivendo como “exilada política” na Itália, após ter seu nome incluído na lista de difusão vermelha da Interpol, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Em vídeo divulgado neste sábado (26), Zambelli agradeceu ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo apoio público em defesa de sua permanência no país europeu.
O vídeo, publicado pelo portal Metrópoles, mostra a parlamentar em local fechado, usando boné, afirmando ser “perseguida política no Brasil”. Ela comentou a entrevista concedida por Flávio Bolsonaro, em que o senador pediu diretamente à primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, e ao vice-premiê Matteo Salvini, que abram as portas do governo italiano para recebê-la.
“Sou uma exilada política, uma perseguida política no Brasil. A fala de Flávio Bolsonaro me ajuda muito nesse processo aqui”, declarou a deputada, que está foragida da Justiça brasileira.
O pedido de Flávio Bolsonaro foi feito durante entrevista ao Metrópoles, na última quinta-feira (24), em que o senador argumentou que Zambelli não teria um julgamento justo no Brasil, pois estaria “pré-condenada”.
Condenação no STF e ações criminais
Zambelli foi condenada em maio a dez anos de prisão pela Primeira Turma do STF, que também determinou a perda do mandato parlamentar. A Corte a considerou culpada pelos crimes de falsidade ideológica e invasão de sistema informatizado, no episódio que envolveu a inserção de decisões forjadas no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A ação criminosa incluiu a emissão de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, contendo inclusive a frase irônica: “Expeça-se o mandado de prisão em desfavor de mim mesmo, Alexandre de Moraes. Publique-se, intime-se e faz o L.”
No mesmo processo, o hacker Walter Delgatti Neto também foi condenado a oito anos e três meses de prisão. Ambos foram condenados a pagar R$ 2 milhões solidariamente por danos morais e materiais coletivos, além de multas individuais — R$ 2,1 milhões para Zambelli e R$ 520 mil para Delgatti.
Outro processo pendente no Supremo
Além da condenação por falsidade ideológica, Carla Zambelli ainda responde a outra ação penal no STF, relacionada a um episódio ocorrido na véspera do segundo turno das eleições de 2022, quando a deputada perseguiu um homem com arma em punho pelas ruas de São Paulo.
Neste caso, Zambelli é ré por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo. O julgamento foi iniciado e já conta com maioria para sua condenação, mas foi interrompido após pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques.
