Brasil
Tarifaço de Trump provoca férias coletivas e demissões no Brasil
Setores como madeira, móveis, calçados e mel já sentem impacto das tarifas extras de 50% impostas pelos EUA; empresas pressionam por ajuda do governo e inclusão em lista de exceções
O tarifaço de 50% imposto pelo governo de Donald Trump sobre diversos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos começou a provocar efeitos imediatos na indústria nacional. Desde que a medida entrou em vigor, empresas de madeira, móveis, calçados e mel já anunciaram paralisações na produção, férias coletivas e até demissões.
A lista de itens com taxação extra foi divulgada em 30 de julho, e passou a valer na madrugada do dia 6 de agosto. Setores que ficaram de fora das exceções tentaram negociar com autoridades americanas e brasileiras para reverter a medida, mas as negociações não avançaram.
No Paraná, a Randa, maior empresa de Bituruna e exportadora de portas e molduras para os EUA há 20 anos, anunciou férias coletivas para seus 800 funcionários, com impacto direto na economia local. A fábrica destina 55% de sua produção ao mercado americano, e estima que 80% da economia do município dependa de suas atividades.
Em Santa Catarina, o polo moveleiro de São Bento do Sul já colocou cerca de 3 mil trabalhadores em férias coletivas. Segundo o Sindusmobil, sindicato do setor, a decisão veio após importadores americanos suspenderem pedidos diante do aumento das tarifas.
Algumas empresas não conseguiram evitar cortes. Em Curiúva (PR), a Depinus Indústria e Comércio demitiu 23 dos 50 empregados, já que 90% do faturamento vinha das exportações para os EUA. Situação semelhante atinge o setor calçadista: a Calçados Killana, do Rio Grande do Sul, suspendeu parte da produção, enquanto a Abicalçados prevê que o impacto possa resultar em até 20 mil postos de trabalho perdidos na cadeia produtiva.
No Piauí, o Grupo Sama, maior produtor de mel orgânico da América do Sul, alerta para risco de colapso na cadeia apícola, com queda de preços pagos ao produtor e ameaça de perda de espaço no mercado internacional para concorrentes como Índia e Argentina, que receberam tarifas menores.
O governo brasileiro promete um plano emergencial para atender principalmente pequenas e médias empresas expostas ao mercado americano. De acordo com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, a estratégia terá duas frentes: negociações bilaterais com os EUA e medidas de contingência para manter empregos e operações internas. O anúncio oficial deve ocorrer até a próxima terça-feira, 12.
Especialistas alertam que, sem solução rápida, a perda de contratos e clientes pode se tornar estrutural, exigindo anos para recuperação — se ocorrer.
