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Governo registra déficit de R$ 59,1 bilhões em julho, pior resultado desde 2020

Aumento de despesas com precatórios e benefícios sociais pressiona contas públicas e amplia desafio fiscal do governo Lula

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista para o Jornal da Record, no Palácio da Alvorada. Brasília - DF. Foto: Ricardo Stuckert / PR

As contas do governo central registraram déficit primário de R$ 59,1 bilhões em julho de 2025, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quinta-feira (28). O resultado é o segundo pior da série histórica para o mês de julho, iniciada em 1997, ficando atrás apenas de 2020, quando o rombo foi de R$ 87,8 bilhões.

O desequilíbrio fiscal foi impulsionado principalmente pelo pagamento de precatórios, que ampliou os gastos com benefícios previdenciários e o BPC (Benefício de Prestação Continuada). Além disso, o aumento do salário mínimo e a expansão do número de beneficiários da previdência elevaram ainda mais a pressão sobre as contas públicas.

No acumulado de janeiro a julho, o governo soma déficit primário de R$ 70,3 bilhões, uma redução em relação ao mesmo período do ano passado (R$ 76,2 bilhões). Já em 12 meses, o rombo chega a R$ 34,1 bilhões, o equivalente a 0,3% do PIB.

O resultado negativo reflete a disparidade entre despesas e receitas. Enquanto os gastos totais cresceram 28,3% em relação a julho de 2024 — o equivalente a R$ 57,4 bilhões —, a receita líquida avançou apenas 3,9%, ou R$ 7,6 bilhões.

Do total registrado em julho, o Tesouro e o Banco Central tiveram déficit de R$ 16,4 bilhões, enquanto a Previdência Social respondeu por R$ 42,7 bilhões. O Tesouro destacou ainda que reajustes concedidos aos servidores públicos também impactaram o caixa.

Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, os resultados mostram um processo de recuperação gradual:

“Já com o pagamento de precatórios, o resultado primário deste ano é melhor que o do anterior. É um processo de ajuste, mas consistente”, afirmou.

Para o 3º bimestre de 2025, a previsão do governo é de déficit acumulado de R$ 74,9 bilhões, dos quais R$ 48,6 bilhões não entrarão no cálculo da meta fiscal, pois se referem a despesas extraordinárias, como precatórios e indenizações a beneficiários do INSS que sofreram descontos indevidos.

O Tesouro informou que a PLOA 2026 (Projeto de Lei Orçamentária Anual), prevista para ser apresentada nesta sexta-feira (29), trará projeções de receitas destinadas ao cumprimento das metas fiscais estabelecidas pelo governo.

Redação Saiba+

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