Bahia

Mãe e filha ligadas ao Comando Vermelho: investigações revelam elo criminoso em Feira de Santana

Juliana ‘Juba’ e Hayanna ‘Haay’ são apontadas como líderes da ‘Tropa da Juba’, célula do CV na cidade. Empresa da filha teria sido usada para movimentar mais de R$ 2,6 milhões.

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A traficante Hayanna é filha da líder da 'Tropa da Juba', filiada ao CV Crédito: Reprodução

As investigações do Ministério Público da Bahia (MPBA) e da Polícia Civil revelaram que a relação entre Juliana de Almeida Leite, a “Juba”, 40 anos, e a filha, Hayanna Letícia Leite da Silva, a “Haay”, 25, vai muito além do sangue. Assim como a mãe, Hayanna é apontada como integrante do Comando Vermelho (CV) em Feira de Santana, ocupando papel estratégico na lavagem de dinheiro da facção.

Segundo a denúncia, enquanto Juliana atua como líder da “Tropa da Juba”, Hayanna seria a operadora financeira do grupo. Apenas entre junho de 2023 e maio de 2024, ela movimentou R$ 2,6 milhões em contas próprias, apesar de declarar uma renda de apenas R$ 8 mil.

A suspeita ganhou força após a criação da empresa Hayanna Confecções, formalizada em outubro de 2023. Em menos de quatro meses, a firma registrou movimentações superiores a R$ 1,2 milhão, valor considerado incompatível para uma empresa recém-aberta. Para o Gaeco/MPBA, trata-se de uma empresa de fachada para dissimular recursos do tráfico.

O caso foi detectado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou repasses de criminosos já presos à conta da empresa. “A atividade empresarial registrada tem como único objetivo a ocultação de patrimônio ilícito e a movimentação encoberta de ativos do tráfico”, aponta a denúncia.

Conversas comprometedoras

Além dos dados financeiros, conversas telefônicas e registros de mensagens reforçam a posição de Hayanna dentro do esquema. Diálogos com Lucas Santos Barbosa, o “Mata Rindo”, outro líder do CV em Feira, revelam a confiança da cúpula criminosa nela.

Interceptações também mostram trocas entre mãe e filha tratando de movimentações financeiras ilícitas, operações policiais e estratégias da facção, confirmando o vínculo direto na condução do tráfico.

Violência armada

A “Tropa da Juba”, comandada por Juliana, também é apontada como braço do comércio ilegal de armamentos. A traficante aparece em fotos portando armas de grosso calibre e, segundo o MPBA, teria participação indireta em execuções cometidas com lâminas e armas exibidas em registros apreendidos.

Tanto Juliana quanto Hayanna estão foragidas e foram denunciadas na Operação Skywalker, que em abril de 2024 mirou a cúpula do Comando Vermelho em Feira de Santana.

Redação Saiba+

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