Política
Lula articula pacote de “bondades” para 2026, mas enfrenta impasses fiscais
Medidas sociais ambiciosas se chocam com limitações de receita e resistência no Congresso
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem projetando um pacote de medidas sociais e econômicas para 2026 — apelidado internamente de “bondades” — que incluiria isenção do Imposto de Renda para parcelas da classe média, subsídios, ampliação de benefícios e investimentos públicos. No entanto, essas propostas esbarram em um implacável dilema de receita e na falta de consenso político para viabilizá-las.
Embora o governo considere que essas medidas são fundamentais para manter o apelo social e conquistar apoio eleitoral, o ambiente fiscal não favorece. A arrecadação já registra crescimento expressivo e recordes, mas a margem para novas despesas é estreita diante dos compromissos com a meta de superávit de 0,25% do PIB prevista para 2026. Qualquer “puxadinha” orçamentária pode comprometer o controle da dívida pública e a credibilidade fiscal da administração.
Paralelamente, o Congresso exerce forte pressão e ceticismo: setores do agronegócio, do mercado financeiro e da própria base aliada temem que expectativas excessivas convertam-se em “promessas vazias”. Diante disso, o governo já admite que haverá necessidade de “desidratação” dos projetos sociais, com cortes em escalas ou prazos, para tornar os pacotes exequíveis.
Em reuniões privadas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, teria sinalizado que o governo pretende recorrer a mecanismos compensatórios — aumento de tributos setoriais, contribuições especiais ou ajustes de alíquota — para balancear os pacotes. Porém, essas medidas tendem a gerar resistência política e risco de desgaste.
Dentro do Planalto, há entendimento de que 2026 será um ano em que os “gestos de bondade” terão que coexistir com austeridade e planejamento responsável. A proposta será calibrada para que, mesmo limitada, tenha impacto simbólico e eleitoral, sem romper com a sustentabilidade das contas públicas.
