Política

PF investiga possíveis irregularidades envolvendo Flávio Bolsonaro e Cláudio Castro

Inquérito sobre suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz também apura licitação da Loterj e possíveis irregularidades relacionadas ao ex-governador do Rio e ao ex-deputado Alexandre Ramagem.

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A Polícia Federal (PF) investiga possíveis irregularidades envolvendo o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) em um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao advogado Willer Tomaz e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República.

A investigação tem como foco movimentações financeiras consideradas suspeitas envolvendo Willer, que mantém relação de amizade com Flávio e também é investigado em um caso relacionado a supostas fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O inquérito é um desdobramento de uma apuração sobre o setor de apostas on-line, conhecido como mercado de bets. Após o surgimento do nome de Flávio Bolsonaro, o caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Investigação apura licitação da Loterj

Um dos principais pontos da apuração envolve uma licitação realizada em 2022 pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), durante a gestão de Cláudio Castro. O procedimento foi vencido pela empresa Pixs Cobrança, atualmente denominada RioPag.

Segundo a Polícia Federal, documentos encontrados nos arquivos de Willer Tomaz incluem mensagens e registros de viagens que indicariam proximidade pessoal entre o advogado e o então governador.

Os investigadores também apontam que Willer seria o proprietário de fato da empresa vencedora da licitação. A apuração busca esclarecer as circunstâncias do processo e verificar se houve irregularidades na contratação.

Disputa teve concorrente desclassificada

De acordo com os elementos apresentados pela PF, a licitação ocorreu durante a gestão de Hazenclever Lopes à frente da Loterj. Ele havia sido nomeado para o cargo pelo então governador Cláudio Castro.

A empresa ligada a Willer Tomaz teria oferecido repassar 20% de sua remuneração à autarquia estadual, enquanto a única concorrente apresentou uma proposta de 26%. A empresa rival acabou desclassificada por registrar o percentual com duas casas decimais, em vez das três exigidas pelo edital.

Após ficar sem concorrentes, a Pixs negociou diretamente com a Loterj e elevou sua oferta para 26,455%, conforme os dados descritos na investigação.

A Polícia Federal também apura os vínculos profissionais e a proximidade entre Hazenclever Lopes e Willer Tomaz antes da nomeação do primeiro para comandar a loteria estadual.

Willer Tomaz nega irregularidades

Em nota, Willer Tomaz afirmou que não teve acesso ao inquérito e que tomou conhecimento da investigação por meio da imprensa. Segundo o advogado, sua defesa já solicitou acesso aos autos e pretende prestar os esclarecimentos necessários às autoridades.

Sobre a relação com Flávio Bolsonaro, Willer declarou que existe uma amizade entre as famílias e argumentou que esse vínculo não constitui crime.

O advogado também negou a existência de irregularidades em suas atividades empresariais. De acordo com sua defesa, todas as empresas e participações societárias são lícitas, constam em registros públicos e estão declaradas à Receita Federal.

A nota acrescenta que não existem sócios ocultos, contas não declaradas ou patrimônio escondido.

A investigação ainda busca esclarecer as movimentações financeiras e as circunstâncias da licitação da Loterj. As suspeitas estão sob apuração, e a existência de investigação não significa, por si só, que os envolvidos tenham cometido crimes.

Redação Saiba+

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