Saúde

Nova grade de Medicina inclui robótica e telemedicina. Veja

Conselho Nacional de Educação discute nova diretriz para cursos de Medicina no Brasil; proposta prevê 10% da carga horária voltada à tecnologia e reforço nos estágios práticos

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Aula em curso de Medicina usando realidade virtual Foto: PEDRO KIRILOS

O ensino da Medicina no Brasil está prestes a passar por uma reformulação significativa. O Conselho Nacional de Educação (CNE) discute a atualização das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) do curso, em vigor desde 2014, com o objetivo de alinhar a formação médica às inovações tecnológicas e às necessidades emergentes do sistema de saúde.

Entre os principais pontos da proposta está a destinação de 10% da carga horária do curso para atividades voltadas ao uso de tecnologias como telemedicina, robótica e inteligência artificial aplicadas ao diagnóstico e tratamento médico. A atualização visa integrar o estudante ao que há de mais moderno na prática clínica, sem perder o foco na humanização e no atendimento primário à população.

“A técnica deve estar atrelada à Medicina, não ser um fim em si mesma. O aluno precisa ver na prática como essas tecnologias se aplicam, por exemplo, em uma cirurgia de pulmão com uso de robôs”, afirmou Elizabeth Guedes, relatora das novas diretrizes e presidente do conselho deliberativo da Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup).

Além do foco tecnológico, as novas DCNs devem reforçar a importância das atividades práticas — como os internatos obrigatórios nos níveis primário (postos de saúde), secundário (ambulatórios e maternidades) e terciário (hospitais). O papel do SUS e da atenção básica continuará como base da formação, mas com maior responsabilidade atribuída à preceptoria e aos estágios supervisionados.

A proposta também está em sintonia com medidas recentes do Ministério da Educação (MEC), como a criação do Exame Nacional da Formação Médica (Enamed), que será aplicado anualmente e servirá como critério para ingresso em residências médicas. Outra frente anunciada é a mudança no modelo de avaliação dos cursos de Medicina, com foco na prática clínica e nos ambientes reais de atendimento.

A qualidade do ensino médico é uma preocupação crescente diante da rápida expansão de vagas nos últimos anos. Desde 2013, mais de 50 mil médicos se formaram em cursos com nota mínima nas avaliações do MEC, número que representa 21% do total de egressos da área.

A Associação Brasileira de Educação Médica (Abem), que entregou ao CNE uma proposta construída com a participação de mais de 3 mil profissionais da área, defende que os novos médicos devem estar aptos a usar “tecnologias digitais da informação, sistemas de saúde digital e inteligência artificial” em todos os níveis de atenção, gestão e educação médica.

A expectativa é que a versão final das novas diretrizes seja aprovada em agosto, após uma nova rodada de consulta pública. Uma vez aprovada pelo CNE, a proposta seguirá para homologação pelo ministro da Educação, Camilo Santana.

A mudança representa um marco importante na tentativa de modernizar a formação médica no Brasil, equilibrando inovação tecnológica com compromisso social e excelência prática.

Redação Saiba+

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