Política

PT paga R$ 2 milhões de dívida com marqueteiro preso na Lava Jato

Partido pagou a João Santana, preso por lavagem de dinheiro em campanhas petistas; valor é referente à campanha de Dilma em 2014

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O marqueteiro João Santana durante entrevista à Folha, em 2023 - Rafaela Araújo - 18.mai.23

O Partido dos Trabalhadores (PT) encerrou, após 11 anos, uma disputa judicial envolvendo o marqueteiro João Santana e sua sócia e esposa, Mônica Moura, ambos presos e condenados na Operação Lava Jato por crimes de lavagem de dinheiro e caixa dois. O pagamento de R$ 2,3 milhões foi realizado em maio deste ano e refere-se à campanha de reeleição da então presidente Dilma Rousseff, em 2014.

O valor quitado foi depositado em parcela única para a Polis Propaganda e Marketing, empresa do casal, e está registrado na prestação de contas do diretório nacional do PT. A quitação foi homologada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal, colocando fim a um processo que se arrastava desde 2018.

A dívida original, que superava os R$ 9 milhões, foi reduzida por meio de um acordo extrajudicial firmado em abril de 2024. Após negociações, o valor foi reduzido para R$ 4 milhões, dos quais R$ 2,7 milhões ainda estavam pendentes. Com o pagamento inicial de R$ 2,3 milhões, restaram cinco parcelas mensais para liquidar o restante.

João Santana foi um dos principais nomes por trás das campanhas vitoriosas de Lula (2006) e Dilma (2010 e 2014). Preso em 2016 na 23ª fase da Lava Jato, o casal firmou delação premiada, devolveu cerca de R$ 80 milhões aos cofres públicos, e cumpriu pena com tornozeleira eletrônica e prestação de serviços comunitários.

Mesmo com as duas sentenças anuladas posteriormente por instâncias superiores — que entenderam que os processos deveriam ter tramitado na Justiça Eleitoral —, os efeitos políticos e simbólicos do caso continuam impactando o debate público.

Em nota, o PT alegou que “todos os pagamentos foram devidamente declarados” e que “a Justiça do DF arquivou a demanda por restar satisfeita a obrigação”. Já Santana e Moura não comentaram o assunto.

O caso ressurge justamente em um momento em que o partido volta a criticar ações de delação e a Operação Lava Jato, mesmo tendo fechado acordo com personagens centrais da investigação. Curiosamente, há três anos, Santana foi o responsável pela campanha de Ciro Gomes (PDT) à Presidência da República.

Redação Saiba+

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