Política

STF se divide após prisão de Bolsonaro e Moraes fica isolado

Decisão que colocou ex-presidente em prisão domiciliar gerou desconforto interno e críticas externas; ministros esperam recuo de Moraes

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Alexandre de Moraes em sessão do STF depois de ordenar a prisão de Jair Bolsonaro - SERGIO LIMA/AFP

A prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL) provocou forte repercussão dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) e gerou uma crise de imagem no momento em que a Corte vinha sendo elogiada internacionalmente por sua firmeza contra pressões do governo norte-americano de Donald Trump.

Segundo apuração da imprensa, ministros do STF consideraram a decisão de Alexandre de Moraes desnecessária, exagerada e juridicamente frágil. O episódio teria isolado Moraes dentro do próprio tribunal, inclusive entre colegas que integram a Primeira Turma, responsável por julgar o caso.

A crítica central entre os ministros é que a medida fragilizou o Supremo justamente quando o tribunal desfrutava de um raro apoio unificado da opinião pública, imprensa e setor empresarial, diante das ameaças de Trump ao Brasil por conta da crise diplomática.

Internamente, cresce a expectativa de que Moraes possa rever sua própria decisão, embora ministros reconheçam que o perfil do magistrado costuma ser inflexível. Caso ele não recue, a única saída seria a reversão pela Primeira Turma do STF, algo considerado possível, mas improvável.

Do ponto de vista jurídico, ministros questionam a contradição entre decisões anteriores que permitiam a Bolsonaro participar de eventos e a atual ordem de prisão domiciliar, motivada por uma breve fala do ex-presidente aos manifestantes em Copacabana, no último domingo (3).

Na ocasião, Bolsonaro apenas afirmou: “Boa tarde, Copacabana. Boa tarde, meu Brasil. Um abraço a todos. É pela nossa liberdade. Estamos juntos”, por telefone, com transmissão em viva-voz feita por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro.

A repercussão da prisão abalou a imagem do STF, que até então vinha sendo visto como firme na defesa da soberania nacional diante das ameaças do governo norte-americano. A decisão provocou editoriais críticos, notas de repúdio e análises negativas em veículos de comunicação, além de preocupações no meio empresarial e diplomático.

O vento que soprava a favor do Supremo virou contra. A Corte, que havia conquistado respeito por se contrapor a Trump e suas sanções econômicas contra o Brasil, passou a ser responsabilizada por intensificar a instabilidade política.

A defesa de Jair Bolsonaro já entrou com pedido de reconsideração da prisão domiciliar junto ao próprio Moraes. A expectativa é de que o ministro reavalie os impactos políticos e institucionais da decisão, especialmente diante da crescente pressão interna.

Redação Saiba+

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