Brasil
Voto de Fux repercute na imprensa internacional
Ministro do STF diverge de Moraes e Dino, e veículos como Reuters, EFE e La Nación destacam posição pela anulação do processo contra Bolsonaro
O voto do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), ganhou destaque na imprensa internacional nesta quarta-feira (10), após sua manifestação no julgamento que analisa a responsabilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro e de sete militares acusados de participação em uma tentativa de golpe de Estado.
A agência Reuters noticiou a decisão com a manchete: “Juiz brasileiro vota pela anulação do caso Bolsonaro, rompendo com pares”. O veículo ressaltou que Fux divergiu dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, que se posicionaram a favor da condenação.
“A divergência no tribunal aumenta a tensão em um caso que já polarizou o País e levou milhares de apoiadores de Bolsonaro às ruas em protesto”, destacou a Reuters.
Já a agência espanhola EFE enfatizou que o ministro defendeu a tese de que o STF não teria competência para julgar os supostos crimes ocorridos em 8 de janeiro de 2023, quando Bolsonaro já não ocupava mais a Presidência.
“O terceiro juiz do caso Bolsonaro pede a anulação do processo por ‘incompetência’ do Supremo Tribunal Federal”, destacou a publicação.
No jornal argentino La Nación, a repercussão veio em reportagem intitulada: “Um juiz do Supremo Tribunal Federal pede a anulação do processo golpista contra Bolsonaro”. O periódico destacou que Fux classificou como de “absoluta incompetência” a atuação da Turma responsável pelo julgamento.
Apesar do voto divergente, a tendência ainda aponta para a condenação. A imprensa internacional lembrou que Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar e com 70 anos, pode enfrentar mais de 40 anos de prisão caso seja considerado culpado.
O relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, votou pela condenação do ex-presidente e dos demais envolvidos, classificando Bolsonaro como chefe de uma organização criminosa. Moraes também defendeu a soberania brasileira e reiterou a gravidade dos atos de 8 de janeiro.
Além de Fux, ainda aguardam manifestação os ministros Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. A previsão é que o julgamento seja concluído até sexta-feira, 12.
