Brasil
PF apreende documentos e computadores no BRB
Justiça Federal autorizou uso da força durante busca realizada na sede do Banco de Brasília, no âmbito da Operação Compliance Zero
A Justiça Federal autorizou a Polícia Federal (PF) a utilizar força para cumprir um mandado de busca e apreensão na sede do Banco de Brasília (BRB). A decisão foi tomada pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, e permitiu que os agentes rompessem acessos e verificassem espaços ocultos na estrutura do prédio.
A operação ocorreu em 18 de novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas relacionadas a operações envolvendo instituições financeiras.
Autorização para arrombamentos
Na decisão, o magistrado autorizou os policiais a adotarem medidas necessárias para garantir o cumprimento da ordem judicial em caso de resistência. Entre as permissões estavam arrombar portas e cofres, acessar armários e fundos falsos, paredes ocas, subsolos, garagens e áreas anexas ou acessórias ao imóvel.
A autorização também abrangia locais que pudessem armazenar documentos ou equipamentos considerados relevantes para a investigação. Com isso, as equipes tiveram permissão para realizar uma busca ampla dentro das dependências determinadas pela Justiça Federal.
Computadores e documentos foram apreendidos
Durante a operação, os agentes realizaram buscas em diferentes áreas do BRB, incluindo os 17º e 18º andares, onde funcionam a presidência e diretorias executivas, além do 11º andar, destinado à superintendência.
A Polícia Federal apreendeu computadores de mesa, notebooks, discos rígidos externos e agendas com anotações manuscritas. O material deverá passar por análise para identificar informações relacionadas às investigações.
Entre os documentos recolhidos estavam materiais com referências a operações envolvendo o Banco Master, incluindo arquivos intitulados “Estratégia Mitigação de Risco Master”, “Aquisições de Carteiras Master” e “Operação BRB x Master – Hipótese de controle sem Daniel Vorcaro”.
Também foi localizada uma minuta de relatório executivo de due diligence, com menção a possíveis pontos de atenção identificados durante processos de análise e avaliação.
Contratos e comunicações também foram recolhidos
A PF apreendeu ainda contratos relacionados à prestação de serviços de cobrança extrajudicial do Banco Master firmados com entidades de classe da Bahia. Entre os documentos estavam contratos envolvendo a Associação dos Servidores da Saúde e Afins da Administração Direta do Estado da Bahia (Asseba) e a Associação dos Servidores do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (Asteba).
Também foram recolhidas cópias de mensagens eletrônicas encaminhadas pelo Comitê de Auditoria (Coaud) à Diretoria Executiva de Finanças e Controladoria (Dific), além de relatórios produzidos por um grupo de trabalho responsável pela conciliação de carteiras adquiridas.
Documentos citam Banco Central e CVM
Entre os materiais apreendidos estavam ainda comunicações do Banco Central do Brasil, documentos relacionados a processos sancionadores na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e arquivos de diferentes setores técnicos do banco.
A Polícia Federal também recolheu cópias integrais de pastas armazenadas no sistema corporativo relacionadas às áreas de Cobrança e Reestruturação de Crédito, Operações de Crédito Especializado, Operações Financeiras e Tesouraria e Gerência de Riscos.
O conjunto de computadores, documentos, contratos e demais materiais apreendidos deverá ser analisado pelos investigadores. As informações poderão contribuir para o aprofundamento das apurações da Operação Compliance Zero, especialmente em relação às operações financeiras e aos negócios mencionados nos documentos encontrados durante a busca.
