Política

Análise: Lula adota tom desnecessariamente combativo contra Trump

Em meio ao conflito comercial com os EUA, presidente brasileiro eleva o tom contra Washington e acusa adversários internos de “traição à pátria”, comprando um embate político que pode custar caro ao país

Publicado

em

Em pronunciamento em rede nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a elevar o tom contra os Estados Unidos e o presidente Donald Trump, classificando a nova sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros como “chantagem inaceitável”. Apesar das tentativas diplomáticas em curso, Lula decidiu adotar uma postura mais agressiva, o que pode agravar a disputa comercial entre os dois países.

“Não aceitaremos ataques ao Pix, que é um patrimônio do nosso povo”, disse Lula, em defesa do sistema de pagamentos brasileiro, também alvo da investigação comercial aberta por Washington. A apuração, conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), cita o Pix, práticas tarifárias, o comércio eletrônico, o desmatamento e até a rua 25 de Março como preocupações com o Brasil.

No discurso de quase cinco minutos, o petista também criticou duramente os parlamentares brasileiros que demonstraram apoio à medida de Trump, chamando-os de “traidores da pátria”. “Apostam no quanto pior, melhor”, afirmou Lula, em referência velada à família Bolsonaro e a seus aliados no Congresso.

A escalada verbal do presidente surpreende pela intensidade e pelo momento: enquanto o setor produtivo pede moderação e o vice-presidente Geraldo Alckmin atua nos bastidores por um acordo, Lula prefere o embate direto, inclusive citando o apoio de empresas estrangeiras à medida americana como uma afronta à soberania nacional.

O gesto de Trump — que justificou a sobretaxa por supostos desequilíbrios comerciais — foi acompanhado de uma carta enviada a Jair Bolsonaro, em que o ex-presidente americano demonstra apoio ao aliado, critica o Supremo Tribunal Federal (STF) e diz que Bolsonaro sofre “um tratamento terrível”.

A retaliação americana já ameaça setores inteiros da indústria nacional, como o de calçados, ferro gusa, móveis, peças automotivas e maquinário pesado, que podem ficar sem alternativa de escoamento se a tarifa for mantida a partir de 1º de agosto.

Mesmo diante do prejuízo econômico anunciado, Lula manteve a postura confrontadora e prometeu usar todos os instrumentos legais possíveis, desde a Organização Mundial do Comércio (OMC) até a Lei da Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional.

Internamente, a fala presidencial também traz o debate sobre o controle das redes sociais e a taxação de big techs, temas criticados pela gestão Trump e que fazem parte do dossiê da investigação americana.

O tom beligerante adotado por Lula pode até agradar à sua base política, mas representa um risco desnecessário para a economia brasileira, num momento em que o país busca atrair investimentos e manter mercados estratégicos abertos. A tensão, agora elevada a um novo patamar, dependerá da diplomacia para evitar prejuízos ainda maiores.

Redação Saiba+

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais Lidas da Semana

Sair da versão mobile