Brasil
Motim bolsonarista gera problemas no Congresso
Hugo Motta avalia punições a deputados, Alcolumbre barra impeachment de Moraes e Silas Malafaia mantém ataques ao ministro do STF.
A semana em Brasília foi marcada por tensões políticas e embates institucionais envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e lideranças do Congresso Nacional, enquanto o debate sobre liberdade de expressão ganhou novos contornos com as falas do pastor Silas Malafaia.
Na Câmara dos Deputados, o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) afirmou que analisa imagens do motim ocorrido no plenário para definir se parlamentares serão punidos. O episódio, registrado na noite de quarta-feira (6), aconteceu quando deputados bolsonaristas resistiram em liberar a Mesa Diretora durante protesto contra a prisão domiciliar de Bolsonaro. Entre os citados por colegas estão Zé Trovão (PL-SC), que bloqueou a subida de Motta, Marcel van Hattem (Novo-RS) e Marcos Pollon (PL-MS). Motta sinalizou que condutas que impeçam o funcionamento legislativo podem levar a suspensão de mandato por até seis meses.
No Senado Federal, o presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) encerrou a ocupação bolsonarista sem pautar o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, apesar da oposição reunir 41 assinaturas em apoio ao processo. O número, embora simbolicamente forte, não obriga o presidente da Casa a abrir o procedimento, conforme determina o regimento interno. A decisão foi vista como uma derrota estratégica para a base bolsonarista, que buscava vincular a medida ao chamado “pacote da paz”, que inclui a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
Fora do Congresso, o pastor Silas Malafaia voltou a protagonizar críticas duras a Alexandre de Moraes, chamando-o de “covarde” e “juiz iníquo” em manifestações e vídeos. Embora o tom agressivo levante questionamentos sobre a imagem pastoral, analistas apontam que o fato de não haver punição contra o líder religioso demonstra que a liberdade de expressão continua sendo exercida no país — argumento que contraria a narrativa de suposta “censura” judicial.
Com disputas políticas acirradas no Parlamento e figuras públicas testando os limites da crítica e da institucionalidade, o cenário brasileiro revela um clima de alta tensão entre Poderes e um espaço público cada vez mais polarizado.
