Política
STF torna réus delegados por obstrução no caso Marielle
Primeira Turma do Supremo formou maioria para aceitar denúncia da PGR contra policiais civis investigados por interferência nas apurações do assassinato de Marielle Franco
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria, nesta quinta-feira, para tornar réus os delegados Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior e Giniton Lages, além do comissário Marco Antonio de Barros Pinto, pelos crimes de associação criminosa e obstrução de justiça no âmbito das investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
A denúncia foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em fevereiro deste ano e aponta a existência de uma organização criminosa instalada dentro da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Segundo as investigações, o grupo teria sido liderado por Rivaldo Barbosa com o objetivo de dificultar e manipular apurações de homicídios de grande repercussão, incluindo o caso Marielle.
De acordo com a acusação, os investigados teriam atuado para interferir diretamente nas linhas de investigação e atrasar o esclarecimento do crime ocorrido em março de 2018, quando Marielle Franco e Anderson Gomes foram executados no centro do Rio de Janeiro. O caso ganhou repercussão internacional e passou a simbolizar a luta por justiça e combate à violência política no Brasil.
A PGR sustenta que a suposta organização criminosa utilizava a estrutura da Polícia Civil para proteger interesses ilegais e impedir o avanço das investigações. Com a decisão do STF, os acusados passam oficialmente à condição de réus e responderão a processo criminal na Suprema Corte.
O julgamento representa mais um desdobramento importante nas investigações relacionadas ao assassinato de Marielle Franco, considerado um dos casos criminais mais emblemáticos do país nos últimos anos.
