Saúde
Estudo reforça origem europeia da varíola nas Américas
Pesquisa identifica evidência biológica inédita da transmissão do vírus por exploradores europeus durante a colonização

Uma pesquisa científica divulgada nesta semana apresenta a primeira evidência biológica direta de que a epidemia de varíola que devastou as populações indígenas das Américas no século XVI foi introduzida por exploradores europeus. A descoberta representa um avanço importante para a compreensão da história das grandes epidemias e do impacto da colonização sobre os povos originários.
O estudo, publicado na revista científica Science, foi conduzido por pesquisadores do Trinity College de Dublin, na Irlanda. Os cientistas conseguiram identificar vestígios genéticos do vírus em múmias encontradas no norte do Chile, estabelecendo uma conexão biológica entre as variantes da doença que circulavam na Europa e aquelas que se espalharam posteriormente pelo continente americano.
Até então, a chegada da varíola às Américas por meio dos colonizadores era considerada uma hipótese amplamente aceita por historiadores, baseada em registros históricos e relatos da época. No entanto, faltavam evidências biológicas capazes de comprovar diretamente essa cadeia de transmissão entre os dois continentes.
A análise genética realizada pelos pesquisadores permitiu reconstruir parte da trajetória do vírus, fortalecendo a compreensão sobre como doenças infecciosas acompanharam os processos de exploração e colonização europeia. A pesquisa oferece uma nova perspectiva sobre a disseminação da varíola e seu papel nas profundas transformações demográficas ocorridas durante o período colonial.
Especialistas destacam que a descoberta também evidencia a importância das técnicas modernas de análise de DNA antigo para reconstituir eventos históricos e compreender a evolução de patógenos ao longo dos séculos. Além de ampliar o conhecimento sobre epidemias do passado, os resultados podem contribuir para futuras pesquisas em áreas como arqueologia, genética, história e saúde pública.
A nova evidência reforça o consenso histórico de que a disseminação da varíola teve impacto decisivo na redução das populações indígenas americanas, tornando-se um dos episódios mais marcantes da história das doenças infecciosas no continente.
Saúde
Ebola avança rapidamente na RDC
Surto da variante Bundibugyo já soma milhares de casos e desafia autoridades de saúde em meio a conflitos armados

A República Democrática do Congo (RDC) enfrenta o surto de ebola com crescimento mais acelerado desde a descoberta do vírus, segundo informações divulgadas pelas autoridades sanitárias do país. A emergência de saúde pública tem mobilizado organismos internacionais e equipes médicas diante da rápida disseminação da doença e das dificuldades para conter o avanço da infecção.
Declarado oficialmente em 15 de maio, o surto é provocado pela cepa Bundibugyo e já registra 3.360 casos confirmados e 1.487 mortes, números que evidenciam a gravidade da situação. A doença se espalhou por cinco províncias no leste da República Democrática do Congo, aumentando a pressão sobre o sistema de saúde local.
Além da velocidade de transmissão, a resposta à crise enfrenta um obstáculo significativo: a instabilidade provocada por conflitos armados na região, que dificulta o deslocamento de profissionais de saúde, compromete campanhas de vigilância epidemiológica e limita o atendimento às comunidades mais afetadas.
Outro desafio enfrentado pelas autoridades é a ausência de uma vacina aprovada especificamente para a variante Bundibugyo. Atualmente, o imunizante voltado para essa cepa permanece em fase de testes clínicos, enquanto especialistas intensificam ações de monitoramento, isolamento de casos e rastreamento de contatos para reduzir a propagação do vírus.
O avanço do surto reforça o alerta para a necessidade de cooperação internacional, investimentos em pesquisa e fortalecimento das estratégias de resposta rápida a doenças infecciosas. Especialistas destacam que o controle do ebola depende da combinação entre vigilância epidemiológica, acesso aos serviços de saúde, segurança para as equipes de campo e desenvolvimento de vacinas eficazes, especialmente em regiões afetadas por crises humanitárias.
Saúde
Brasil consolida fim dos testes em animais na indústria de cosméticos
Um ano após a sanção da Lei 15.183/2025, setor da beleza amplia o uso de métodos alternativos e fortalece práticas sustentáveis e inovadoras no país.

A indústria brasileira da beleza completa um ano de adaptação às novas regras que proíbem testes em animais na fabricação de cosméticos, perfumes e produtos de higiene pessoal. A mudança, estabelecida pela Lei 15.183/2025, representa um dos maiores avanços da legislação nacional em favor do bem-estar animal e da inovação científica, impulsionando a adoção de tecnologias modernas para garantir a segurança dos produtos.
A legislação marcou uma transformação significativa no mercado, reunindo empresas do setor, pesquisadores, órgãos reguladores e entidades de proteção animal em torno de um objetivo comum: substituir definitivamente os testes em animais por métodos científicos reconhecidos internacionalmente.
Entre as iniciativas que contribuíram para essa transição está a atuação do Grupo L’Oréal, por meio de sua subsidiária EPISKIN, que disponibilizou tecidos humanos reconstruídos validados para testes laboratoriais e promoveu a capacitação de profissionais responsáveis pela aplicação das novas metodologias. Esses recursos permitiram acelerar a adaptação da indústria às exigências da nova legislação.
Segundo especialistas da EPISKIN Brasil, a adoção de métodos alternativos superou as expectativas e passou a influenciar diversos segmentos além da indústria de cosméticos. Áreas como materiais escolares, brinquedos, agroquímicos, dispositivos médicos e o setor farmacêutico também passaram a investir em tecnologias de avaliação de segurança baseadas em testes in vitro.
Para Vanja Dakic, gerente da EPISKIN Brasil, o avanço demonstra que a inovação científica pode caminhar lado a lado com a proteção animal e a sustentabilidade. A especialista destaca que os métodos in vitro vêm se consolidando como o novo padrão de segurança industrial no Brasil, reforçando a competitividade das empresas e ampliando a confiança dos consumidores em produtos desenvolvidos com responsabilidade ambiental.
Além de incentivar a inovação tecnológica, a nova legislação fortalece a imagem do Brasil no cenário internacional, alinhando o país às tendências globais de produção sustentável e de respeito ao bem-estar animal, fatores cada vez mais valorizados pelo mercado e pelos consumidores.
Saúde
Brasil avança para certificação pela eliminação da transmissão da hepatite B
País atingiu por dois anos consecutivos a meta internacional de reduzir a transmissão da hepatite B de mãe para filho e aguarda avaliação da OPAS e da OMS.

O Brasil deu mais um passo importante na área da saúde pública ao solicitar oficialmente a certificação internacional que reconhece a eliminação da transmissão vertical da hepatite B, aquela que ocorre de mãe para filho durante a gestação, parto ou período neonatal. O pedido foi apresentado nesta terça-feira e representa um marco no fortalecimento das políticas de prevenção da doença.
O avanço foi possível porque o país atingiu, por dois anos consecutivos, a meta estabelecida pelos organismos internacionais, registrando menos de 0,1% de infecção ativa pelo vírus da hepatite B em crianças de até cinco anos de idade. O índice atende aos critérios definidos pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para o reconhecimento oficial.
A conquista é resultado da ampliação das estratégias de vigilância epidemiológica, do fortalecimento do pré-natal, da realização de testes durante a gravidez e da oferta de vacinação e imunização dos recém-nascidos, medidas consideradas essenciais para interromper a transmissão do vírus entre gerações.
Com a solicitação protocolada, o processo seguirá agora para uma avaliação técnica da OPAS, passando posteriormente pela análise de um comitê externo de especialistas. Na etapa final, a documentação será examinada pelo Comitê Global de Validação da OMS, responsável por conceder a certificação aos países que comprovam o cumprimento dos requisitos internacionais.
Caso a certificação seja confirmada, o Brasil consolidará um importante reconhecimento mundial na área da saúde pública, reforçando o compromisso com a prevenção das hepatites virais e com a proteção da saúde materno-infantil. O resultado também evidencia a eficácia das políticas públicas voltadas à imunização, ao acompanhamento pré-natal e ao controle de doenças transmissíveis.
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