Saúde
Estudo aponta riscos do xilitol
Pesquisa apresentada em congresso internacional de cardiologia relaciona níveis elevados do adoçante no sangue a maior risco de eventos cardiovasculares

O xilitol, também conhecido como álcool de açúcar, é um adoçante natural bastante utilizado por pessoas que buscam reduzir o consumo de açúcar e controlar o peso. A substância possui aproximadamente 40% menos calorias que o açúcar comum, característica que contribuiu para sua popularização em produtos alimentícios e dietas.
Entretanto, um novo estudo apresentado durante o Congresso de Cardiologia da ESC levantou um alerta sobre possíveis impactos cardiovasculares relacionados à presença elevada de xilitol no organismo. Segundo os pesquisadores, níveis maiores da substância no sangue podem estar associados a maiores chances de problemas cardiovasculares, incluindo infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Pesquisa avaliou milhares de participantes
Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram dados de 17.710 participantes de estudos voltados ao acompanhamento da saúde e do envelhecimento da população. Entre as bases utilizadas estavam o Estudo Longitudinal Canadense sobre Envelhecimento e a investigação EPIC-Norfolk.
A análise buscou identificar possíveis relações entre a concentração de xilitol encontrada no sangue e a ocorrência de eventos cardiovasculares. Os resultados chamaram atenção especialmente entre os participantes que apresentavam níveis mais elevados do adoçante.
De acordo com os dados apresentados, pessoas com concentrações maiores de xilitol tiveram aproximadamente 57% mais risco de morte após eventos como infarto e AVC, quando comparadas àquelas que apresentavam níveis mais baixos da substância.
Resultado acende alerta
Apesar da associação identificada pela pesquisa, os resultados não significam necessariamente que o consumo de xilitol seja responsável diretamente pela ocorrência de infartos ou AVCs. Estudos desse tipo ajudam a identificar relações que precisam ser investigadas com maior profundidade.
O xilitol é encontrado naturalmente em pequenas quantidades em alguns alimentos e também é produzido para utilização como adoçante. Por apresentar sabor semelhante ao açúcar e menor quantidade de calorias, tornou-se uma alternativa bastante procurada por consumidores interessados em reduzir a ingestão de açúcar.
A possível relação entre níveis elevados de xilitol e doenças cardiovasculares, portanto, pode abrir espaço para novas pesquisas sobre os efeitos metabólicos da substância. Cientistas ainda precisam compreender melhor os mecanismos envolvidos e avaliar se o próprio xilitol contribui para o risco ou se níveis elevados funcionam como um marcador associado a outras condições.
Saúde cardiovascular exige atenção
Doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte no mundo, o que faz com que qualquer possível fator associado ao aumento do risco seja acompanhado de perto pela comunidade científica.
O estudo apresentado no congresso reforça a importância de avaliar com cautela o uso frequente de adoçantes e produtos industrializados, especialmente quando consumidos em grandes quantidades. A escolha de alternativas ao açúcar não deve ser analisada apenas pelo número de calorias.
Os pesquisadores destacam que os resultados representam uma associação observada nos dados analisados e que mais estudos são necessários para confirmar uma relação de causa e efeito. Até que novas evidências estejam disponíveis, o consumo de xilitol deve ser considerado dentro de uma alimentação equilibrada e de acordo com as necessidades individuais.
Saúde
Nanoosso pode ajudar na regeneração óssea
Material biodegradável desenvolvido por pesquisadores australianos estimulou a formação de novo tecido ósseo em animais e pode reduzir, no futuro, a necessidade de enxertos.

Um material biodegradável desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Sydney, na Austrália, apresentou resultados promissores na regeneração de tecido ósseo. O chamado “nanoosso” foi testado em animais e conseguiu estimular o próprio organismo a produzir novo tecido, abrindo perspectivas para futuras aplicações na medicina regenerativa.
O estudo contou com a colaboração da Universidade de Queensland e foi publicado na revista científica ACS Nano. Nos experimentos, os pesquisadores observaram aproximadamente 80% mais formação de tecido ósseo após oito semanas, em comparação com os materiais utilizados como controle.
A tecnologia pode representar uma alternativa para procedimentos que atualmente dependem de enxertos ósseos retirados do próprio paciente. Embora ainda esteja em fase experimental, o material poderá, futuramente, contribuir para tratamentos voltados à recuperação de estruturas ósseas danificadas.
Como funciona o nanoosso
O material é produzido a partir de um nanomaterial de cálcio-aluminossilicato. Diferentemente de materiais utilizados apenas para preencher áreas lesionadas, o nanoosso atua estimulando mecanismos naturais do organismo relacionados à formação óssea.
De acordo com os pesquisadores, o material consegue ativar o TGF-β1, um fator de crescimento já presente no organismo. Esse sinal biológico desempenha um papel importante ao atrair células-tronco envolvidas no processo de formação de tecido ósseo.
A partir desse estímulo, o organismo passa a produzir novo tecido ósseo na região tratada. Com o avanço do processo de regeneração, o material biodegradável é gradualmente substituído pelo próprio osso do paciente.
Os resultados obtidos nos testes reforçam o potencial da tecnologia, mas novas pesquisas ainda serão necessárias para avaliar sua segurança, eficácia e possível utilização em seres humanos.
Caso os próximos estudos confirmem os resultados, o nanoosso poderá se tornar uma ferramenta importante na medicina regenerativa, especialmente em situações que exigem reconstrução de estruturas ósseas.
Saúde
THC pode ajudar a reduzir resistência de células do câncer de mama
Estudo investiga como o tetrahidrocanabinol pode interferir na capacidade de células tumorais assumirem características mais agressivas e resistentes

Pesquisadores investigam o potencial do THC (tetrahidrocanabinol), um dos principais compostos da Cannabis sativa, para interferir no comportamento de células do câncer de mama consideradas mais agressivas e resistentes aos tratamentos.
Estudos recentes indicam que as células do câncer mamário apresentam uma capacidade de adaptação maior do que se imaginava. Elas podem passar de um estado mais diferenciado, no qual desempenham funções específicas, para outro semelhante ao de células-tronco, característica que pode estar associada a maior capacidade de invasão e resistência terapêutica.
Nesse contexto, pesquisadores passaram a investigar o papel do sistema endocanabinoide (SEC), uma rede formada por receptores e moléculas presentes no organismo e relacionada à regulação de diferentes processos biológicos, incluindo mecanismos ligados à diferenciação celular.
Os canabinoides têm sido estudados por sua possível influência sobre processos relacionados ao desenvolvimento de tumores. Pesquisas experimentais avaliam, entre outros efeitos, a capacidade dessas substâncias de interferir no crescimento das células tumorais, em sua movimentação e na formação de novos vasos sanguíneos que podem favorecer o desenvolvimento do câncer.
O objetivo do trabalho é compreender de que maneira a ativação do sistema endocanabinoide pode alterar o comportamento das células cancerígenas. A possibilidade de reduzir características associadas à agressividade e à resistência das células tumorais pode abrir novas linhas de investigação para futuras estratégias terapêuticas.
Apesar dos resultados experimentais despertarem interesse científico, os achados não significam que o THC seja atualmente um tratamento comprovado para o câncer de mama. São necessários estudos adicionais para determinar sua segurança, eficácia e eventual aplicação clínica em pacientes.
A pesquisa reforça a importância de compreender os mecanismos biológicos que permitem às células tumorais se adaptarem e sobreviverem aos tratamentos, além de estimular novas investigações sobre o sistema endocanabinoide e seu possível papel no combate ao câncer.
Saúde
Anvisa aprova novo medicamento para linfoma folicula
Registro do Lunsumio® SC amplia as opções terapêuticas para adultos com linfoma folicular recidivado ou refratário após tratamentos anteriores

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Lunsumio® SC (mosunetuzumabe), medicamento destinado ao tratamento de adultos com linfoma folicular recidivado ou refratário que já tenham sido submetidos a pelo menos duas linhas anteriores de terapia.
A decisão foi divulgada na segunda-feira (24/8), por meio da Resolução RE nº 3.289/2026, publicada no Diário Oficial da União (DOU). A aprovação representa a inclusão de uma nova alternativa terapêutica para pacientes que apresentam retorno da doença ou que não respondem adequadamente aos tratamentos realizados anteriormente.
O linfoma folicular é um tipo de câncer do sistema linfático classificado como um linfoma não Hodgkin de crescimento geralmente mais lento. Apesar de poder apresentar evolução prolongada, a doença pode retornar após períodos de resposta ao tratamento, exigindo novas estratégias terapêuticas.
Nesse cenário, a aprovação do mosunetuzumabe ganha relevância especialmente para pacientes que já passaram por diferentes tratamentos e permanecem com doença ativa. O medicamento integra uma classe de terapias desenvolvidas para atuar de forma direcionada sobre células envolvidas no processo da doença.
A nova apresentação, identificada como Lunsumio® SC, amplia as possibilidades de utilização do princípio ativo mosunetuzumabe no tratamento de pacientes adultos dentro da indicação aprovada pela autoridade sanitária brasileira.
A decisão da Anvisa ocorre em um contexto de avanço das terapias contra diferentes tipos de câncer, com medicamentos cada vez mais direcionados a características específicas das células tumorais e do sistema imunológico. Para pacientes com linfoma folicular que apresentam recaída ou resistência às terapias anteriores, a disponibilidade de novas opções pode representar uma alternativa importante no acompanhamento médico.
É importante destacar que a indicação, a forma de utilização e a elegibilidade para o tratamento devem seguir rigorosamente a aprovação regulatória e a avaliação de profissionais de saúde. A aprovação do medicamento não significa que ele seja indicado para todos os pacientes com linfoma folicular, já que a escolha terapêutica depende das características individuais de cada caso e do histórico de tratamentos.
Com o novo registro, o Lunsumio® SC passa a integrar o cenário regulatório brasileiro para o tratamento de adultos com linfoma folicular recidivado ou refratário após duas ou mais linhas de terapia prévias, ampliando o conjunto de alternativas disponíveis para essa população.
A medida também reforça a importância da inovação no tratamento oncológico e do desenvolvimento de terapias voltadas a pacientes que necessitam de novas estratégias após tratamentos anteriores.
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