Polícia
Investigação aponta negociação de armas e cocaína ligada a empresas de ônibus
Polícia Civil de São Paulo aponta dois suspeitos como integrantes do PCC e “laranjas” de empresas de transporte investigadas por ligação com o crime organizado

Dois homens apontados pela Polícia Civil de São Paulo como integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e supostos “laranjas” de empresas de ônibus teriam negociado fuzis, cocaína e coletes à prova de balas, segundo elementos reunidos na investigação que embasou uma operação contra a infiltração da facção no sistema de transporte público.
De acordo com a apuração policial, José Daniel Satilite e Claudionor Aparecido Sabino Tomaz aparecem formalmente como sócios da empresa Translider, responsável pela operação de ônibus em Cubatão, na Baixada Santista. A investigação, porém, aponta que os dois seriam apenas representantes dos verdadeiros proprietários, identificados como Paulo Korek e José Antonio Guerino, este último assassinado em 2021.
Korek também é apontado como proprietário da A2 Transportes, empresa que atua na cidade de São Paulo com linhas de microônibus na Zona Sul da capital.
Suspeitos teriam ligação com o PCC
Segundo a Polícia Civil, José Daniel e Claudionor seriam integrantes do PCC e atuariam como intermediários entre a organização criminosa e diferentes setores, incluindo advogados, empresários, políticos e agentes do poder público.
As informações fazem parte de uma investigação mais ampla sobre a possível presença de integrantes do crime organizado na estrutura de empresas que operam o transporte coletivo em São Paulo e outras cidades do estado.
As defesas dos investigados são procuradas para se manifestar sobre as acusações.
Mensagens citam negociação de cocaína
Entre as provas analisadas pelos investigadores estão conversas interceptadas entre os dois suspeitos. Em uma delas, José Daniel teria enviado uma mensagem informando sobre a possibilidade de adquirir “200 litros de óleo”.
Claudionor questionou se a referência seria a óleo de motor. Segundo a interpretação apresentada pelos policiais, porém, a expressão seria uma forma codificada de mencionar pasta base de cocaína, que teria sido associada ao termo “óleo” no contexto das conversas.
A investigação sustenta que o diálogo seria uma evidência de negociação de drogas entre os suspeitos.
Armas também aparecem nas conversas
As mensagens analisadas pela Polícia Civil também apontam para negociações envolvendo armas de fogo. Em determinado momento, Claudionor teria oferecido armamentos a José Daniel, que também teria apresentado outras armas para negociação.
Em uma das conversas, acompanhada de imagens, aparece a oferta de uma arma descrita como de calibre 5,56. Os investigadores também identificaram diálogos relacionados à negociação de coletes à prova de balas.
Para a Polícia Civil, o conjunto das mensagens reforça a hipótese de que os suspeitos mantinham contato com atividades criminosas enquanto exerciam funções formalmente relacionadas a empresas do setor de transporte.
Investigação apura infiltração no transporte público
A operação busca esclarecer como o crime organizado teria estabelecido relações com empresas de ônibus e estruturas do transporte público. A apuração também procura identificar eventuais conexões entre empresários, integrantes de facções criminosas e agentes de diferentes setores.
As suspeitas apresentadas pela Polícia Civil ainda são objeto de investigação e não representam condenação dos citados. O avanço do caso dependerá da análise das provas reunidas pelas autoridades e das manifestações dos investigados e de suas defesas.










