Polícia
Conselho retoma julgamento de tenente-coronel da PM
Geraldo Leite Rosa Neto é acusado da morte da esposa e pode perder a patente após processo administrativo na Polícia Militar de São Paulo

O Conselho de Justificação Militar retoma nesta quarta-feira (30/9) o julgamento que analisa a permanência do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 54 anos, na Polícia Militar de São Paulo. O militar está preso preventivamente e responde pela morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos.
Conforme a intimação publicada no Diário Oficial, a sessão está marcada para começar às 11h, com participação do tenente-coronel por videoconferência. Segundo a defesa, Geraldo Neto não será interrogado nesta etapa do processo.
O advogado Eugênio Malavasi afirmou que a defesa acompanhará a sessão e destacou que o procedimento desta quarta-feira corresponde a mais uma etapa da instrução processual do Conselho de Justificação. O julgamento administrativo teve início em maio deste ano.
Defesa afirma que militar não será interrogado
De acordo com a defesa, a sessão desta quarta-feira não prevê o interrogatório de Geraldo Neto. Por esse motivo, uma nova data deverá ser definida posteriormente para a realização dessa etapa.
O Conselho de Justificação é responsável por analisar a conduta de oficiais e verificar se eles possuem condições de permanecer na carreira militar. O procedimento pode resultar em consequências administrativas, incluindo a perda da patente, conforme o caso.
Relembre o caso
A soldado Gisele Alves Santana foi encontrada gravemente ferida com um disparo de arma de fogo na cabeça, em 18 de fevereiro, no apartamento onde vivia com o marido, no bairro do Brás, região central de São Paulo. Ela foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.
Geraldo Neto sustenta que a esposa teria cometido suicídio após ele comunicar a intenção de encerrar o relacionamento. Entretanto, a perícia apontou elementos que, segundo a investigação, inviabilizam essa versão.
O casal estava sozinho no imóvel no momento do ocorrido. O tenente-coronel foi preso em 18 de março e permanece detido preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo.
O militar foi pronunciado pela Justiça e deverá ser submetido ao Tribunal do Júri, embora a data do julgamento ainda não tenha sido definida.
Processo pode resultar na perda da patente
Além da ação criminal, Geraldo Neto responde a um processo administrativo no Conselho de Justificação da Polícia Militar. O procedimento foi instaurado por determinação do secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, em 31 de março.
O Conselho de Justificação é um procedimento administrativo destinado a avaliar a conduta de oficiais. Ao final da análise, podem ser aplicadas medidas como demissão ou reforma, dependendo das conclusões do processo e das decisões das autoridades competentes.
Enquanto o processo administrativo segue em andamento, a investigação criminal também continua tramitando. O caso envolve, portanto, duas frentes distintas: a apuração criminal pela morte de Gisele e o procedimento administrativo que pode definir a permanência de Geraldo Neto na Polícia Militar.










