Brasil
Juiz “superstar”: The Economist critica excesso de poder de Moraes
Revista britânica defende julgamento de Bolsonaro no plenário, condena decisões monocráticas e diz que Congresso deve reassumir controle sobre regulação da liberdade de expressão online.

Em artigo publicado nesta quarta-feira (16), a revista britânica The Economist fez duras críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e, em especial, ao ministro Alexandre de Moraes, apontando um acúmulo excessivo de poder por parte do Judiciário brasileiro. A publicação alerta que o STF precisa exercer moderação para evitar uma crise de confiança junto à população.
A matéria sugere que, para restaurar sua imagem de imparcialidade, o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acusado de liderar uma suposta tentativa de golpe, deve ser conduzido pelo plenário da Corte, e não pela Primeira Turma, composta por apenas cinco ministros. Segundo a revista, a atual composição do colegiado pode reforçar a percepção de parcialidade, já que inclui o ex-advogado de Lula, Cristiano Zanin, e seu ex-ministro da Justiça, Flávio Dino.
Ao longo do texto, The Economist faz críticas contundentes ao ministro Alexandre de Moraes, apontado como símbolo de um Judiciário com “poderes surpreendentemente amplos” e que atua de forma unilateral em decisões sensíveis, especialmente no que diz respeito à regulação da internet e repressão a opositores políticos.
Entre os episódios citados estão as ordens de bloqueio da rede social X (antigo Twitter) no Brasil, o congelamento de contas da empresa Starlink e a remoção de centenas de perfis pró-Bolsonaro, todas medidas tomadas de forma monocrática. Em outro exemplo recente, Moraes suspendeu o processo de extradição de um cidadão búlgaro, em retaliação à negativa da Espanha de extraditar o blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio.

O bolsonarista Oswaldo Eustáquio / Imagem: Instagram
A revista também critica a falta de transparência e a concentração de poder entre os ministros. Cita como exemplos negativos o ministro Dias Toffoli, que anulou provas da Operação Lava Jato, e Gilmar Mendes, organizador do Fórum Jurídico de Lisboa, evento com forte presença política e empresarial.
Apesar das críticas, The Economist reconhece que os poderes do STF estão previstos na Constituição de 1988, que permite, por exemplo, que partidos políticos e sindicatos levem ações diretamente ao Supremo, muitas vezes sem passar por instâncias inferiores. Isso, segundo o texto, faz com que o STF “crie leis” em vez de apenas interpretá-las.
A revista critica o Congresso Nacional por sua omissão em debater e aprovar o chamado “PL das Fake News”, que busca regulamentar as plataformas digitais no Brasil. Em contrapartida, observa que a Câmara tem dado prioridade à tramitação da proposta de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
Por fim, o artigo alerta para uma “ameaça tripla” à democracia brasileira: o risco de deterioração da qualidade das decisões judiciais, a perda de apoio popular e o uso do Judiciário como instrumento de repressão. Apenas 12% da população avalia positivamente o STF, segundo pesquisa PoderData citada pela revista — uma queda expressiva frente aos 31% registrados em 2022.
“A democracia brasileira enfrenta uma ameaça tripla. É essencial evitar uma crise de confiança generalizada no último dos seus três Poderes ainda de pé”, conclui o texto.
Brasil
Prisão de ex-presidente do BRB revela patrimônio milionário
Investigação da Polícia Federal identifica imóveis de alto padrão ligados ao ex-dirigente, com valores que ultrapassam R$ 140 milhões

A prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, nesta quinta-feira (16), trouxe à tona detalhes que chamaram a atenção das autoridades: um patrimônio imobiliário de alto luxo, composto por imóveis em áreas valorizadas e negociações realizadas em circunstâncias consideradas suspeitas.
Durante as investigações, a Polícia Federal (PF) identificou ao menos seis imóveis vinculados ao esquema. Desses, quatro estão localizados em São Paulo e dois em Brasília, todos em regiões nobres e com características de alto padrão. No total, o valor estimado dos bens ultrapassa R$ 140 milhões, conforme levantamento divulgado pela imprensa.
Os investigadores destacaram que algumas transações teriam sido feitas de forma acelerada, o que levantou suspeitas sobre a origem dos recursos e a possível tentativa de ocultação patrimonial. A apuração segue em andamento, com o objetivo de esclarecer a natureza das negociações e identificar eventuais irregularidades.
O caso amplia a repercussão em torno da gestão do banco e reforça o trabalho de órgãos de controle no combate a práticas ilícitas envolvendo recursos públicos e privados. A descoberta do patrimônio milionário intensifica as investigações, que agora buscam rastrear o fluxo financeiro por trás das aquisições.
A operação também evidencia o uso de imóveis de luxo como instrumento em esquemas investigados, prática que costuma ser monitorada por autoridades em casos de suspeita de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito.
Brasil
Moraes manda PF devolver equipamentos a jornalista investigado
Decisão do STF envolve apuração sobre suposta perseguição contra o ministro Flávio Dino

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, determinou que a Polícia Federal devolva os equipamentos apreendidos do jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, no âmbito de uma investigação em andamento.
O profissional é alvo de apuração por suposto crime de perseguição contra o ministro Flávio Dino, integrante da Corte. A decisão de Moraes não encerra o caso, mas estabelece que os itens recolhidos durante as diligências sejam restituídos ao jornalista, mantendo o curso normal das investigações.
A medida foi interpretada por especialistas como um gesto de equilíbrio entre a continuidade da apuração e a preservação de direitos individuais, especialmente no que diz respeito ao exercício da atividade jornalística e ao uso de ferramentas de trabalho.
Nos bastidores, a decisão reforça o entendimento do STF de que ações investigativas devem respeitar limites legais, mesmo em casos sensíveis envolvendo autoridades públicas. Ainda assim, o inquérito segue sob responsabilidade das autoridades competentes, com análise de provas e possíveis desdobramentos judiciais.
O caso chama atenção por envolver liberdade de imprensa, atuação institucional e segurança de autoridades, temas que frequentemente geram debate no cenário jurídico e político nacional.
A Polícia Federal ainda não detalhou o cronograma para a devolução dos equipamentos, mas deverá cumprir a determinação dentro dos prazos estabelecidos pelo Supremo.
Brasil
Governo recebe caminhoneiros para discutir demandas
Ministro Guilherme Boulos se reúne com representantes da categoria para tratar de combustível, frete e condições de trabalho

O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, recebe nesta quarta-feira (25) representantes dos caminhoneiros no Palácio do Planalto, em Brasília. O encontro tem como foco principal discutir as demandas urgentes da categoria, que enfrenta desafios crescentes no setor de transporte rodoviário.
A reunião foi confirmada pelo próprio ministro e deve abordar temas considerados prioritários pelos profissionais da estrada. Entre os principais pontos estão o alto preço dos combustíveis, o valor do frete e as condições de trabalho nas rodovias brasileiras, questões que impactam diretamente a renda e a rotina dos caminhoneiros.
Nos bastidores, a expectativa é de que o diálogo avance na construção de soluções que tragam maior equilíbrio ao setor. A categoria cobra medidas concretas para reduzir custos operacionais e garantir maior previsibilidade nos ganhos, especialmente diante das oscilações do mercado e dos custos logísticos.
O encontro também sinaliza uma tentativa do governo federal de manter o diálogo aberto com os caminhoneiros, grupo estratégico para a economia nacional. O transporte de cargas é responsável por grande parte da circulação de mercadorias no país, o que torna as reivindicações da categoria um tema sensível para a gestão pública.
Analistas avaliam que a reunião pode representar um passo importante para evitar tensões e possíveis paralisações. A busca por consenso entre governo e trabalhadores é vista como essencial para garantir estabilidade no abastecimento e no setor logístico brasileiro.
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