Política
Moraes marca interrogatórios de Bolsonaro e aliados em processo por tentativa de golpe
Ex-presidente será ouvido presencialmente no STF; interrogatórios começam na próxima semana e envolvem oito réus do núcleo central da trama golpista de 2022

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), agendou os interrogatórios dos oito réus acusados de participação na tentativa de golpe de Estado em 2022, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As audiências ocorrerão a partir de segunda-feira, 9 de junho, na sala da Primeira Turma do STF, em Brasília.
A decisão de Moraes foi anunciada nesta segunda-feira (2), após o encerramento da fase de oitiva de testemunhas, que teve como último depoente o senador Rogério Marinho (PL-RN). Bolsonaro acompanhou a audiência por videoconferência.
O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e colaborador da Justiça, será o primeiro a ser ouvido. Os demais réus prestarão depoimento em ordem alfabética: Alexandre Ramagem (deputado federal e ex-chefe da Abin), Almir Garnier (ex-comandante da Marinha), Anderson Torres (ex-ministro da Justiça), Augusto Heleno (ex-GSI), Jair Bolsonaro, Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa) e Walter Braga Netto (ex-ministro da Casa Civil e da Defesa).
Todos os depoimentos serão presenciais, com exceção de Braga Netto, que está preso preventivamente há mais de 160 dias no Rio de Janeiro. Sua defesa solicitou novamente a revogação da prisão, mas o pedido ainda não foi analisado. Ele será interrogado por videoconferência.
“O horário do término das audiências poderá ser prorrogado, caso necessário”, destacou Moraes, que também garantiu que novas datas poderão ser definidas para concluir os depoimentos, caso haja necessidade.
O ministro explicou que essa etapa é fundamental para o exercício do direito à autodefesa, permitindo que os réus neguem ou confirmem as acusações, apresentem provas, relatem circunstâncias e apontem possíveis envolvidos. O silêncio também é um direito garantido pela Constituição.
“Os réus têm o livre direito de falar, escolher o que falar ou silenciar nos termos da Constituição Federal”, afirmou Moraes.
Sobre o fato de os réus estarem reunidos em um mesmo ambiente — o que contraria medidas cautelares que proíbem comunicação entre eles —, Moraes respondeu que as restrições continuam válidas, e cada um terá um espaço reservado. “Não há problema em se cumprimentarem, mas continuam impedidos de conversar entre si”, enfatizou.
A Primeira Turma do STF já aceitou, por unanimidade, a denúncia apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) em 26 de março, tornando os oito oficialmente réus. Eles são acusados de:
- Organização criminosa armada
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
- Golpe de Estado
- Dano qualificado pela violência
- Deterioração de patrimônio tombado
As penas somadas podem ultrapassar 40 anos de prisão.
Com o avanço do processo no STF, cresce a expectativa para um julgamento ainda em 2025, o que pode impactar diretamente o cenário eleitoral de 2026. Bolsonaro foi declarado inelegível em 2023 pelo TSE, mas uma eventual condenação criminal pode levá-lo à prisão, intensificando o racha entre aliados sobre a sucessão de sua liderança política.
Política
Michelle Bolsonaro deve faltar a lançamento de candidatura de Flávio Bolsonaro
Ausência da ex-primeira-dama no evento reforça especulações sobre divergências internas no grupo político da família Bolsonaro.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não deve participar do evento de lançamento da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, marcado para o próximo dia 25 de julho, em São Paulo. A informação amplia as especulações sobre um possível distanciamento político dentro da família Bolsonaro e chama atenção para os desdobramentos das articulações visando as próximas eleições.
De acordo com as informações divulgadas, a ausência de Michelle estaria relacionada à sua posição contrária à candidatura do enteado, além da intenção de apoiar outro nome na disputa pelo Palácio do Planalto. Apesar da movimentação nos bastidores, não houve confirmação oficial sobre mudanças nas estratégias eleitorais do grupo.
Outro ponto que ganhou destaque é a decisão atribuída à ex-primeira-dama de não disputar nenhum cargo eletivo neste ano, mesmo aparecendo entre os nomes mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto para o Senado pelo Distrito Federal. A expectativa de aliados era de que Michelle pudesse concorrer, mas a sinalização atual aponta para a manutenção de sua decisão de permanecer fora da disputa.
Nos bastidores, lideranças políticas ainda tentam reverter esse cenário. Há expectativa de novos diálogos para incentivar uma eventual candidatura ao Senado, diante do desempenho registrado em levantamentos eleitorais e da influência política que Michelle mantém junto ao eleitorado conservador.
As especulações sobre um racha na família Bolsonaro ganharam força após Michelle publicar vídeos nas redes sociais nos quais afirmou ter sido humilhada por Flávio Bolsonaro e pelos irmãos Eduardo e Carlos Bolsonaro. Segundo a ex-primeira-dama, os episódios ocorreram depois de ela manifestar publicamente posição contrária ao apoio do Partido Liberal (PL) à pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Ceará.
Michelle defende que o partido deveria apoiar o senador Eduardo Girão (Novo) na disputa estadual e atribui ao grupo político ligado a Ciro Gomes a responsabilidade pela inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro. O episódio evidenciou divergências internas e aumentou a atenção sobre os próximos movimentos da família e das lideranças do PL.
Enquanto as definições eleitorais seguem em andamento, o cenário político permanece marcado por negociações, alianças e disputas internas, fatores que poderão influenciar diretamente a composição das candidaturas para os próximos pleitos.
Política
PT de Minas reforça diálogo entre Lula e Patrus Ananias sobre eleições e projetos
Encontro discutiu cenário político, investimentos estratégicos para Minas Gerais e fortaleceu articulações para as eleições de 2026.

O Partido dos Trabalhadores (PT) de Minas Gerais informou nesta sexta-feira que o deputado federal Patrus Ananias se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir o cenário político atual e projetos considerados estratégicos para o desenvolvimento do estado. O encontro reforça as articulações da legenda em Minas Gerais, embora o partido ainda não confirme oficialmente a definição do nome que disputará o governo estadual nas próximas eleições.
De acordo com a executiva estadual do PT, a conversa foi considerada “muito positiva”, refletindo o alinhamento entre o governo federal e a direção partidária sobre temas prioritários para Minas. A nota também destaca que uma eventual definição sobre a candidatura ao governo ocorrerá “no momento oportuno”, indicando que as negociações seguem em andamento.
Entre os assuntos debatidos durante a reunião estiveram a ampliação e o fortalecimento dos investimentos em educação, propostas para enfrentar a dívida do Estado de Minas Gerais e iniciativas voltadas ao desenvolvimento regional. Outro tema relevante foi o acompanhamento de projetos aprovados pelo Congresso Nacional que buscam transformar o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG) em uma universidade tecnológica, ampliando sua atuação no ensino, pesquisa e inovação.
O encontro também demonstra a movimentação do PT para consolidar sua estratégia política no estado, considerado um dos principais colégios eleitorais do país. A legenda avalia cenários e busca fortalecer sua presença em Minas Gerais, alinhando pautas de desenvolvimento econômico, educação e infraestrutura com o governo federal.
Nos bastidores, a reunião é vista como parte das discussões sobre o futuro político do partido em Minas, mas, oficialmente, a direção estadual mantém o discurso de que qualquer definição sobre candidaturas será anunciada apenas após a conclusão das articulações internas.
Política
Hugo Motta apoia reciprocidade após tarifa dos EUA contra produtos brasileiros
Presidente da Câmara critica decisão dos Estados Unidos e defende aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica diante da nova taxação anunciada por Donald Trump.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), manifestou nesta quinta-feira forte reação à decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, classificando a medida como prejudicial às relações comerciais entre os dois países. Em resposta ao anúncio, o parlamentar defendeu que o Brasil utilize a Lei da Reciprocidade Econômica como instrumento para proteger os interesses nacionais.
A declaração ocorre após o presidente norte-americano Donald Trump confirmar a adoção da nova tarifa sobre mercadorias brasileiras, intensificando o cenário de tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos. A medida pode impactar setores estratégicos da economia brasileira, especialmente aqueles com forte participação nas exportações para o mercado norte-americano.
Durante seu posicionamento, Hugo Motta afirmou que o Brasil deve agir com firmeza e equilíbrio, utilizando os mecanismos legais disponíveis para garantir tratamento equivalente às decisões adotadas por outros países. A defesa da Lei da Reciprocidade Econômica acompanha a estratégia discutida por integrantes do governo federal, que estudam alternativas para responder à medida sem comprometer o diálogo diplomático.
A Lei da Reciprocidade Econômica permite ao Brasil adotar contramedidas em situações consideradas desproporcionais ou prejudiciais ao comércio exterior nacional. A legislação é vista como um instrumento para preservar a competitividade da indústria brasileira e assegurar condições equilibradas nas relações internacionais.
Enquanto isso, o governo brasileiro intensifica as articulações diplomáticas e avalia possíveis impactos econômicos da decisão norte-americana. Especialistas acompanham o desdobramento do caso, que poderá influenciar o fluxo comercial entre os dois países e gerar reflexos em diversos segmentos da economia.
O episódio amplia o debate sobre a política comercial internacional e reforça a importância de estratégias que preservem a competitividade das exportações brasileiras, ao mesmo tempo em que mantêm abertos os canais de negociação entre Brasília e Washington.
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