Brasil
Venezuela impõe tarifas a produtos brasileiros e quebra acordo comercial com o Brasil
Medida surpresa afeta diretamente exportadores de Roraima e expõe desgaste diplomático entre Lula e Nicolás Maduro

Sem qualquer aviso prévio, o governo da Venezuela passou a cobrar tarifas sobre produtos importados do Brasil, em flagrante descumprimento do Acordo de Complementação Econômica nº 69 (ACE 69), firmado entre os dois países em 2014. O pacto previa isenção de impostos sobre quase todo o comércio bilateral, garantindo livre circulação de mercadorias e fortalecendo a integração econômica na América do Sul.
A denúncia foi feita pela Federação das Indústrias do Estado de Roraima (Fier), que afirmou que os certificados de origem dos produtos brasileiros não estão sendo reconhecidos pelas autoridades venezuelanas, o que, na prática, anula os benefícios do acordo e impõe barreiras ao comércio.
O caso surpreendeu o governo brasileiro. Segundo o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), tanto o órgão quanto o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) já estão cientes da situação e a Embaixada do Brasil em Caracas investiga o episódio junto às autoridades venezuelanas.
“O acordo veda a cobrança de imposto de importação entre os dois países. Estamos buscando esclarecimentos urgentes”, declarou o Itamaraty em nota oficial.
Roraima é o estado mais afetado pela medida, por ter fronteira com a Venezuela e manter o país vizinho como seu principal parceiro comercial. O impacto é imediato sobre exportadores de milho, açúcar, melaço e produtos comestíveis, que integram a pauta de exportação brasileira para Caracas.
Em 2024, o comércio bilateral entre os dois países alcançou US$ 1,6 bilhão, com US$ 1,2 bilhão em exportações brasileiras, o que representa 0,4% de todas as exportações nacionais. A decisão de Maduro causa apreensão em empresários e levanta questionamentos sobre a real estabilidade das relações entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolás Maduro, considerados aliados políticos no cenário regional.
A Fier informou que iniciou apuração interna e mantém diálogo com representantes brasileiros e venezuelanos:
“Estamos buscando soluções rápidas que permitam retomar o fluxo comercial e minimizar os prejuízos para o setor produtivo”, afirmou a federação em nota.
A falta de transparência do governo venezuelano e o silêncio sobre os motivos da medida colocam em xeque a confiança do empresariado brasileiro e fragilizam a estratégia diplomática do Planalto de reaproximação com regimes da esquerda latino-americana.
Brasil
Justiça decreta falência de tradicional ervateira gaúcha
Empresa do setor de erva-mate acumula dívida milionária e enfrenta dificuldades financeiras que comprometeram a continuidade das operações.

Uma das empresas mais tradicionais do segmento de erva-mate no Rio Grande do Sul teve a falência decretada pela Justiça após enfrentar uma grave crise financeira. A decisão atinge a Ervateira Vier, sediada no município de Santa Rosa, região conhecida pela forte ligação com a cultura do chimarrão e pela relevância da cadeia produtiva da erva-mate.
Segundo informações divulgadas sobre o caso, a companhia acumulava uma dívida estimada em aproximadamente R$ 50 milhões. O cenário de dificuldades administrativas, financeiras e operacionais teria comprometido a capacidade de manutenção das atividades e inviabilizado a continuidade dos negócios.
A decisão judicial foi proferida pelo juiz Eduardo Sávio Busanello, da Vara Regional Empresarial da Comarca de Santa Rosa. O magistrado reconheceu a situação de insolvência da empresa, formalizando a decretação da falência diante da incapacidade de recuperação das operações.
A Ervateira Vier possui histórico de atuação no mercado gaúcho e integra um setor que tem forte importância econômica e cultural para o estado. O consumo de chimarrão faz parte da identidade regional do Rio Grande do Sul, movimentando uma ampla cadeia produtiva que envolve agricultores, indústrias, distribuidores e comerciantes.
A falência da empresa gera preocupação entre fornecedores, credores e trabalhadores ligados ao setor, especialmente em um momento em que o mercado enfrenta desafios relacionados a custos de produção, competitividade e gestão empresarial.
Especialistas apontam que processos de falência costumam desencadear uma série de procedimentos voltados à apuração de ativos, pagamento de credores e encerramento das atividades empresariais, conforme determina a legislação vigente.
Apesar do impacto econômico da decisão, o mercado da erva-mate segue sendo considerado estratégico para diversas regiões do Sul do Brasil, mantendo forte demanda tanto no consumo interno quanto em mercados internacionais.
O caso da Ervateira Vier evidencia os desafios enfrentados por empresas tradicionais diante de dificuldades financeiras prolongadas, reforçando a importância do planejamento estratégico, da gestão eficiente e da sustentabilidade econômica para a continuidade dos negócios.
Brasil
União Europeia retira Brasil de lista de exportadores autorizados
Nova regulamentação europeia sobre uso de antimicrobianos na pecuária impactará exportações brasileiras de diversas categorias a partir de setembro de 2026.

A União Europeia oficializou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar determinadas categorias de produtos de origem animal para o bloco econômico. A decisão foi formalizada por meio de regulamento publicado no Diário Oficial europeu e passa a produzir efeitos a partir de 3 de setembro de 2026.
A medida está relacionada às novas exigências da legislação europeia sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção animal. Com a mudança, o Brasil deixa de figurar entre os países considerados aptos a exportar categorias como bovinos, equinos, aves, produtos da aquicultura, mel e tripas para o mercado europeu, dentro das regras estabelecidas pelo bloco.
A publicação transforma em norma uma decisão que já havia sido comunicada anteriormente pelas autoridades europeias. Segundo o documento, a Comissão Europeia informou que não recebeu garantias suficientes de que o Brasil implementaria, até o prazo estipulado, todas as exigências previstas na nova regulamentação para os setores afetados.
O tema tem gerado atenção entre representantes do agronegócio e exportadores brasileiros, uma vez que a União Europeia é considerada um dos mercados mais relevantes para diversos segmentos da produção agropecuária nacional. A adequação às normas sanitárias e de rastreabilidade tem sido apontada como fator decisivo para a manutenção do acesso aos mercados internacionais.
As novas regras europeias buscam reforçar o combate à resistência antimicrobiana, considerada uma das principais preocupações globais na área da saúde pública e da produção animal. O objetivo é garantir que produtos importados atendam aos mesmos padrões exigidos dos produtores estabelecidos dentro do bloco europeu.
Especialistas avaliam que a decisão poderá exigir ajustes regulatórios e operacionais por parte dos setores envolvidos, além de negociações diplomáticas e técnicas entre autoridades brasileiras e europeias. O cenário também abre espaço para discussões sobre certificações, protocolos sanitários e adequação às exigências internacionais.
Com a entrada em vigor da medida prevista para setembro de 2026, o Brasil terá pela frente o desafio de demonstrar conformidade com as normas europeias para buscar a retomada plena do acesso aos mercados afetados, preservando a competitividade de suas exportações agropecuárias.
Brasil
Ex-juiz fica ferido após queda de ponte no Acre
Edinaldo Muniz fazia uma transmissão ao vivo denunciando a interdição da estrutura quando ocorreu o desabamento; ele sofreu lesão renal e foi transferido para Rio Branco.

O desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, no interior do Acre, deixou o ex-juiz aposentado Edinaldo Muniz ferido na noite de sexta-feira (5). O incidente ocorreu enquanto ele realizava uma transmissão ao vivo nas redes sociais para denunciar a situação da estrutura, que havia sido interditada e teve investimento estimado em R$ 36 milhões.
De acordo com informações médicas, Edinaldo sofreu uma lesão renal que provocou sangramento interno, exigindo atendimento especializado. O caso gerou grande repercussão no estado, especialmente por envolver uma obra pública de alto valor e por ter acontecido durante uma manifestação pública sobre as condições da ponte.
O boletim médico, assinado pelo médico José Hassem, aponta que o ex-magistrado precisará passar por um procedimento cirúrgico. Em razão da gravidade do quadro, ele foi transferido para Rio Branco, capital acreana, onde receberá tratamento especializado e acompanhamento médico contínuo.
O desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari reacendeu debates sobre a segurança de obras públicas e a necessidade de fiscalização rigorosa da infraestrutura urbana. Moradores da região e autoridades acompanham o caso com atenção, enquanto aguardam esclarecimentos sobre as circunstâncias que levaram ao colapso da estrutura.
A ocorrência também mobilizou equipes de resgate e autoridades locais, que iniciaram levantamentos para apurar as causas do acidente. O episódio ganhou destaque nas redes sociais devido à transmissão realizada por Edinaldo Muniz momentos antes do desabamento.
O estado de saúde do ex-juiz segue sob monitoramento médico, enquanto familiares e amigos acompanham sua recuperação na capital do Acre. As investigações sobre a queda da ponte deverão apontar eventuais responsabilidades e contribuir para evitar novos incidentes semelhantes.
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